NEXT CONQUEROR

o blog do Davi Jr.

REBOOT DA DC: reflexo de uma crise nos comics americanos?

Sou fã de Batman desde que comecei a assistir nas tardes do SBT o incrível Batman – The Animated Series, que ainda hoje me entusiasma muito a cada vez que resolvo assistir a algum episódio seu.

Minha admiração pelo herói se intensificou no decorrer dos anos cada vez que eu assistia algo novo do homem-morcego: o  seriado dos anos 60, a quadrilogia dos anos 80-90, jogos de video-game, novos desenhos animados até chegar nos épicos filmes de Christopher Nolan.

O leitor comum deve estar pensando: “Que bom pra você!”, mas o leitor fã do herói deve ter notado que eu não citei aí as histórias em quadrinhos do herói, ou seja a base que construiu todo esse acervo cultural que eu consumo e admiro. Por que será que isso acontece? Seria uma preferência minha ou uma tendência do mercado editorial?

Acho que é hora de chamar a Liga da Justiça pra resolvr esse caso. Mas… Quem são esses caras aí em baixo?

O REBOOT DA DC

Desde Zero Hora o mercado de quadrinhos não fica tão agitado e desconfiado dos novos rumos de seus heróis avoritos como hoje. A pouco tempo a DC Comics anunciou uma reformulação geral em seus personagens e dessa vez prometeu que nenhum dos seus será poupado.

Especula-se que a principal causa disso seria uma crise que a DC Comics vem passando com seus quadrinhos. Apesar dos produtos licenciados que a Warner Bros. vende e produz (nota: a Warner é a dona da DC Comics) arrecadarem milhões de dólares, o produto básico de seus heróis vem trazendo cada vez menos retorno para a editora.

A causa para essa queda de vendas supõe-se que se deva a “quebra de tempo” exstentes entre as mídias licenciadas e as revistas. Enquanto no cinema Batman acabou de prender Coringa pela primeira vez, nos quadrinhos Coringa já matou o segundo Robin, estuprou e deixou Batgirl paraplégica e se alterna a cada dia entre um sujeito com maquiagem a um cara com o rosto desfigurado. Ah! E Bruce Wayne morreu, se você viu ele na telona ou no Bom Dia e Cia, esqueça! Batman agora é outro cara… De novo…

Entre as principais mudanças estão:
– o novo uniforme de Superman, agora sem cuecas por cima da calça;
– a nova roupagem da Mulher-Maravilha, agora mais comportada e sem referências nacionalistas aos EUA;
– o retorno do Aquaman bom moço, sem barba ou gancho na mão;
– o fim de Supergirl e Super Boy;
– Bárbara Gordon voltando a ser a Batgirl;
– Damian Wayne, o filho de Bruce Wayne (!), como o novo Robin;
Batman virou uma lenda urbana;
Mulher Gavião e Gavião Negro, definitivamente (será?) com asas de verdade;
– Possivelmente Roschark se tornará um personagem ativo;
Static Shock (ou Super-Choque) se mudará para Nova York;
– Fim e início de mais uma série de grupos e heróis pequenos.

Interessante não? Dentre as mudanças mais bruscas, resolveram poupar Batman e o Lanterna-Verde, já que são os títulos que mais vendem da DC Comics. Não que isso seja lá muito bom. O passado de fusão de Lanterna-Verde com Parallax será esquecido e Hall Jordan também voltará a ser um bom-moço. Com Batman, poucas mudanças definem “não mudar mais do que já fizemos no últimos anos“.

Teria Superman deixado de ser jornalista para trabalhar na equipe de construção de um prédio? E que olhos vermelhos são esses

SIM, MUDANÇAS SÂO BEM-VINDAS!

Geralmente o mercado de HQ’s aceita bem mudanças nos formatos dos quadrinhos. Geralmente as adequações dos heróis se faz necessário para atingir as mudanças de comportamento e preferências de seu público-alvo. Mas o que se vê nos últimos tempos é as editoras forçarem a barra…

Quantas tentativas de mudança de uniforme Superman já passou? Quantas vezes o herói de Kripton ja morreu? Quatas vezes ele já casou com Lois Lane? Quantos reinícios e quantas origens “nunca antes reveladas” ja foram publicadas? E isso só no universo do homem-de-aço!

Em Batman a coisa fica mais estranha e dá a origem a loops que transpassam o limiar da razão de um fã: só no último ano Batman morreu, Dick Grayson assumiu seu manto (de novo), expulsou Robin de seu título, este (Tim Drake) resolveu virar Red Robin, identidade do segundo Robin que voltou porque também queria ser Batman, como não conseguiu assumiu (de novo) a identidade de Capuz Vermelho, identidade original de Coringa, que junto com Tim Drake tentou traze Bruce Wayn de volta a vida, que realmente voltou, mandou Dick Grayson voltar a ser Asa Noturna, transformou seu filho em Robin, mandou Tim Drake continuar com a identidade de Red Robin e clicou em “curtir” quando soube que Barbara Gordon voltou a andar depois de séculos como a nerd Oráculo.

Ou seja: mataram o Batman para reviver dois outros personagens. Mas Batman não morreu! Que raios de roteiro é esse? Não tem mudança! É só um emaranhado de informações que se junta numa ideia complexa e irracional para aumentar as vendas de uma revista… É super interessante ressucitar Jason Todd (o segundo Robin, assassinado por Coringa) e transformá-lo num justiceiro hard-core de Gothan. Mas porque misturar sua identidade de Red Robin com Tim Drake? E Tim Drake, o único que acreditava na vida de Batman perdeu seu lugar…

A DC cada vez mais se torna expert em realizar mudanças que os fãs não querem e deixar idéias interessantes de lado… Os fãs gostam de mudanças. Mesmo o uniforme de Superman já estava um tanto quano defasado, mas porque mudar sua origem junto com a mudança do uniforme?

O problema que encontramos na DC (e na Marvel também, afinal ela matou o Homem-Aranha também, mas logo ele volta…) é a falta de criatividade de histórias em um universo que já está construído, pronto para ser explorado. Mas os roteiristas insistem em mudar o universo ao invés de utilzar o rico arsenal que tem…

Batman com Damyan Wayne, o quarto Robin cronológico.

O QUE PODERIA SER FEITO?

Se o mercado está em crise, nada melhor do que observar um mercado em melhor estado que o americano para inspirar os rumos dos comics. E que melhor mercado que esse que o de mangás japoneses?

Enquanto Batman, o título de maior vendagem da DC, vende 90 mil cópias nos EUA, One Piece vende 1 milhão de edições em terras nipônicas. Curioso? Nem tanto.

One Piece é um mangá que se destaca por contar uma história que se importa mais com o momento presente que com o futuro. Eichiro Oda, o autor da série, já escreve o mangá a mais de 10 anos e diz que o mangá acaba de chegar em sua metade de história. Ao invéz de criar diversos “tempos” (passados-presentes e futuros), One Piece preserva a história atual e aos poucos vai adicionando elementos cronológicos que buscam acrescentar elementos ao invés de cancelar antigos erros. One Piece é uma história com começo, meio e fim (espera-se) mas que tem traços quase acronológicos, se alguém se aventurar a começar a ler a história hoje, facilmente consegue localizar os pontos necessários para continuar a acompanhar a saga de Ruffy e seus companheiros piratas, já que seu universo já está construído.

Se os autores do mercado editorial americano se preocupassem mais com os elementos que Batman tem ao invés de tentar organizá-los e reorganizá-los, muito provavelmente os rumos de suas vendas seriam também diferentes.

Batman, Superman e Mulher-Maravilha tem mais de 50 anos de sucesso. Os editores já deveriam ter percebido que a mudança de uniforme deve ser natural (como o uniforme de Batman nos anos 80, de azul para negro) e não forçada de uma maneira brusca como a que se está fazendo hoje. O que os leitores querem, hoje, é se divertir com seus quadrinhos, mas tantas mudanças desnecessárias torna o entretenimento dificil. O sucesso de filmes como The Dark Knight e Asylum Arkhan não está nas adaptações que os designers do filme/game fizeram ao personagem, mas na qualidade do roteiro que envolve um personagem já construído.

Seria esse um Luffy-Sinal?

Se ao invés de continuar a empurrar histórias sem fim aos seus consumidores os roteiristas se preocupassem em criar mais histórias (longas, não tem problema) com começo, meio e fim, tais quais A Piada Mortal, O longo Dia das Bruxas e o Terra de Ninguém onde qualquer leitor que tenha uma idéia do que é Batman consiga ler (e de quebra se interessar por publicações anteriores), talvéz a DC deixasse de atrair tantos problemas cronológicos e possa respirar melhor publicando quadrinhos para tudo e para todos.

 

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3 Respostas para “REBOOT DA DC: reflexo de uma crise nos comics americanos?

  1. Edivaldo Calabrezi outubro 6, 2011 às 5:29 pm

    “Enquanto Batman, o título de maior vendagem da DC, vende 90 mil cópias nos EUA, One Piece vende 1 milhão de edições em terras nipônicas.”

  2. João Lucas dezembro 5, 2011 às 12:51 am

    Mas pera aí!!!! O Batman morreu ou não? Sou fã dele(Era, é e sempre será meu herói de infância a velhice). Quero saber e… Não entendi muito bem esse blog, porque afinal de contas… Ainda não descobri se o Batman morreu ou não. Gostaria que vocês me respondessem por e-mail.

    • nextconqueror dezembro 5, 2011 às 1:25 am

      Na verdade ele não morreu. Foi parar em uma espécie de dimensão paralela e foi resgatado pela união inusitado de Robin Tim Drake (que não acreditava que Bruce tivesse morrido) e Coringa (que não queria que Batman tivesse morrido).

      A morte dele foi só um chamativo pra vender revistas…

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