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o blog do Davi Jr.

REVIEW: livro Eu, Robô

Quem ainda não leu Eu, Robô ainda não pôde desfrutar do que a imaginação humana tem de melhor.

Escrito em 1950 por Isaac Asimov, Eu, Robô possui uma particularidade que o sobrepõe a qualquer obra de ficção científica já criada: a incrível capacidade de se tornar um texto cada vez mais atual a medida que envelhece.

O autor conhecia o interior das pessoas como poucos, por isso, a emoção, a criação e o sentimento humano são elementos que estão presentes em seus personagens desde que começou a escrever aos 20 anos de idade, quando sua única pretensão era ganhar alguns trocados a mais para ajudar a custear seus estudos.

Logo na capa da edição brasileira já é possível obervar alguns conceitos da robótica difundidos por Isaac Asimov.

Diferente do filme de mesmo título estrelado por Will Smith, o livro de Isaac Asimov pouco contém perseguições, explosões ou um protagonista cheio de remorço e espírito negativo, mas explora como ninguém as várias faces do ser humano ante a sua invenção mais promissora, o robô. Ou melhor dizendo, o ser que mais por sequências numéricas e logarítmos do que por ideologia, pode ser capaz de cuidar melhor da humanidade do que a própria humanidade.

O livro é dividido em nove capítulos, cada um trazendo um conto descrito por Susan Calvin, robopsicóloga e protagonista da história, enquanto ela concedia uma entrevista à um ambicioso repórter.

Nascida no mesmo ano que a U.S Robôs, organização responsável pela criação dos cérebros positrônicos, a Dra. Susan Calvin ainda jovem ingressou na empresa. Com uma carreira de sucesso ao longo das décadas, e agora com 82 anos, ela é a melhor não só para contar como foi a relação entre homem e máquina desde a fundação da empresa para qual ainda trabalha, mas também para projetar um provável futuro para humanidade após quase um século de convivência com os robôs.

Isaac Asimov era antes de tudo um grande contador de histórias, por isso até mesmo o leitor mais despretencioso não tem como não se emocionar com Eu, Robô logo no primeiro capítulo. Contando a história de Robbie, um robô mudo que serve de babá para a pequena Glória, o autor logo explora aresistência humana frente as novas tecnologias.

Robbie foi um dos primeiros modelos com cérebros positrônicos a serem comercializados nos anos 90 pela U.S. Robôs. O cérebro positrônico dá a possibilidade de um robô tomar iniciativas e aprender conforme o tempo vai passando. Ao lado de Glória, que ainda estava na idade de descobrir o mundo ao seus redor, o robô mudo assume  papel mais inocente na vida de um ser humano: o direito de sonhar com o contos de fada que lhes eram contados pela menina.

Porém, esses sonhos duram pouco. Devido aos preconceitos dos vizinhos, a mãe de Glória, após muitas negativas do pai, resolve separar o robô da menina, devolvendo-lhe para a U.S. Robôs. Fazendo isso, os resultados que a mãe da meina almejava passam a ser bem diferentes, e quem começa a parar de sonhar é a sua filha, que não tem mais a companhia do robô que era alimentado com as suas fantásticas histórias.

A imagem dos robôs de Asimov, inspiraram diversos designers de personagens de ficção científica ao longo das décadas, entre eles os olhos acesos de C3PO.

Drama e questões sociais embasam este primeiro capítulo do livro, mas é nos três que seguem é que o autor começa a explorar o  mais inspirador conceito já inserido na ficção científico e por ele criado, as 3 Leis da Robótica:

1ª Lei: um robô não pode ferir um ser humano, ou por inação, permitir que um ser humano seja ferido.
2ª Lei: um robô deve obedecer as ordens dadas pelos seres humanos, exceto se tais ordens entrarem em conflito com a primeira lei.
3ª Lei: um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a primeira e a segunda lei.

Essas três leis soam como poesia paa os fãs de ficção científica, já que é graças a elas que uma das correntes mais crescentes durante o século XX, iniciada por Mary Shelley em 1818 com seu romance Frankstein, foi quebrada: a idéia de que a tecnologia é vista como perigosa e danosa ao ser humano.

Perigo esse foi testado e desmentido por Powell e Donovan nos capítulos 2, 3 e 4 da obra, onde os dois cientistas, segundo suas prórpias palavras, pegam os piores trabalhos da U.S. Robôs.

Confrontados com possíveis falhas mecânicas de Speedy, o robô mais rápido da organização; Cutie, um robô fanático religioso e Dave, o chefe de cinco robôs acoplados ao seu corpo robótico, os dois cientistas comprovam que problemas técnicos são apenas interpretações ociosas feitas por seres humanos quando estes não compreendem bem as 3 Leis da Robótica.

A interpretação das 3 leis fica ainda mais clara quando a própria dra. Susan Calvin, diante de seus sonhos juvenis, se depara com um robô que pode ler pensamentos, ao ter que encontrar um robô fugitivo ou mesmo ao autorizar a morte de Powell e Donovan, se isso significasse a seguraça dos dois.

O filme estrelado por Will Smith possui uma trama bem diferente da do livro de Asimov, mas se baseia em diversos conceitos do autor.

Religião, política, romance e mais um monte de temas se misturam a cada capítulo do livro, mas Eu, Robô ainda não seria tão genial se não fosse seu encerramento magistral em seus dois últimos capítulos.

Em Evidência, Asinov põe em cheque o que significa SER humano. Nele, Susan Calvin é convocada para investigar Stephen Byerley, candidato a prefeitura de Nova York, que está sendo acusado de ser um robô.

O ponto chave do capítulo é quando se indaga o que é mais importante: todos os benefícios que Byerley fez durante toda a sua vida ou o fato dessas benfeitorias terem sido resultados do princípio das 3 Leis da Robótica?

Seria possível a existência de um ser humano realmente bom? É essa a pergunta que Asimov quis que seus leitores se façam após a leitura do penúltimo capítulo, já que essa reflexão abre o raciocínio para a trama do capítulo final onde Asimov desenvolve uma possibilidade de futuro controlado por máquinas, mas formatado segundo os interesses dos homens.

Em Conflito Evitável, a Dra. Susan Calvin parte para os mais diversos pontos do mundo para conversar com os maiores líderes da pacífica organização mundial que se desenvolveu na segunda metade do século 21.

O tema central da conversa da doutora com esses líderes se dá devido a alguns problemas notados no funcionamento das máquinas, mas que não foram, aparentemente, notados pelas cias. que utilizam esses robôs para realização das mais diversas funções em prol da humanidade, que envolvem desde a agricultura até a siderurgia de materiais pesados.

De repente, após todas as entrevistas, o que parecia ser apenas uma pincelada ficcional criada por Asimov para fechar toda a mitologia de sua obra, se transforma em uma das mais intrigantes teorias futurísticas já escritas.

Baseada nas 3 Leis da Robótica e nas falhas não perceptíveis da ação dos robôs, a dra. Susan Calvin chega a conclusão que as máquinas estão criando um mundo em que podem coexistir com o ser humano obedecendo sua principal regra: um robô não pode ferir um ser humano, ou por inação, permitir que um ser humano seja ferido.

Conhecendo os seres humanos por quase um século, os cérebros positrônicos passaram a formatar um mundo onde não mais os seres humanos corressem o risco de se ferir. Todas as aparentes falhas detectadas por Calvin foram realizadas intencionalmente pelos robôs, que já haviam percebido que se continuassem a agir conforme o esperado, possíveis conflitos entre nações poderiam acontecer levando assim a disputas internas, guerras ou mesmo a extinção do ser humano.

Seria capaz o orgulo humano aceitar que seu destino pode ser traçado por um ser inerente a ele? Ou é melhor continuar com o livre arbítrio mesmo sabendo que este pode levá-lo ao fracasso ou muito pior que isso?

Homem ou máquina? Até que ponto a tecnologia se diferenciará do ser humano?

Assim como todas as questões envolvidas num café filosófico, o livro de Asimov fornece muito material para perguntas e dúvidas, mas não fornece as respostas.

Talvéz as questões do livro, assim como as questões mais primordiais dúvidas da humanidade, nunca terão respostas, mas assim como estas, certamente abastecerão o leitor com as mais curiosas idéias da constante relação entre passado, presente e futuro.

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