NEXT CONQUEROR

o blog do Davi Jr.

Legendários: primeiras impressões

Depois do fiasco que foi a ida d’Os Barbixas para a Band, era a vez de ver se valeu a pena, para os telespectadores (claro!), a ida de Marcos Mion, de Hermes e Renato e tantos outros artistas e humorístas para o novo programa noturno dos sábados da Rede Record: Legendários.

Todo o elenco do programa reunido.

Se o nome do programa já sugere que a emissora do bispo Edir Macedo quis construir um programa para ficar na história. Nos dias de hoje, um programa dessa estirpe precisa de ser jovem, inteligente, de qualidade e com um humor leve, crítico e ao mesmo tempo levar uma nova proposta de como fazer TV ao telespectador.

Falando assim parece até fácil, mas o primeiro programa que estreiou ao vivo no último dia 10 de abril, se mostrou um programa que deve demorar para cair no gosto do público. Ao invés de inovar, a atração preferiu coletar e reorganizar elementos e quadros já existentes da TV brasileira, muitos criados pelos próprios atores do programa.

Apesar do elenco ter uma grande afinidade com o público jovem, a produção optou colocar no ar como primeiro quadro uma reportagem com Chitãozinho e Chororó. O que dá para entender dessa escolha é que se pretende atrair telespectadores de todas as idades, colocando na tela algo que misture as preferências de todos os públicos.

Algo que reforça isso, foi Mion, que assumiu o posto de líder de toda a galera do programa, afirmar “Nós não queremos rir de ninguém, queremos rir com todo mundo” em um dos muitos discursos de auto-elogio do programa.

Aliás, as sessões destinadas a se vangloriar ocuparam grande aprte do programa de estréia. Pôxa, o telespectadores não acreditam que algo é bom só pelo fato de alguém dizer que ele é bom. Todo programa é posto em cheque a cada exibição, se não se mostrar apto a cumprir com o que promete é deixado de lado pela audiência.

Mion é o líder natural da trupe de Legendários.

Mas prometer também chega a ser um problema do programa. Não deu para entender exatamente que tipo de programa é o Legendários. Não se sabe se o humor que eles fazem tem a intenção de fazer crítica social como o CQC, tomadas satíricas como o Casseta e Planeta ou entrevistas debochadas como o Pânico na TV.

O maior exemplo dessa falta de foco foi o quadro do pulo da ponte. Iniciado com uma “novelinha” seguido com a filmagem dos bastidores e resultado na queda de para-quedas de um dos atores da ponte Rio-Niteroi, ficou difícil entender se devia-se ver aquilo como engraçado (devido as montagens grotescas), crítico (já que o bom-senso diz que isso é algo que não se deve fazer) ou heróico (já que colocaram uma trilha sonora que ressaltou a última cena da reportagem).

Se Hermes e Renato já não tinham graça na MTV, não foi na Record que que eles se mostraram diferentes, ainda mais agora que o grupo terá que mudar seu nome, como foi anunciado após o primeiro quadro deles, onde encenaram algumas situações que deveriam parecer casuais ms eram notavelmente já ensaiadas.

E esse é um dos pontos que o programa mais menospreza a capacidade de distinção do telespectador. Todos os diálogos entre Mion e os Legendários no palco já estão ensaiados, mas em vez de assumir isso, os atores tentam ao todo custo fazer com que aquilo pareça casual.

O elenco é grande e o programa é confuso.

Felizmente nem tudo foi perdido. Os telespectadores mais corajosos que ousaram assistir o programa até o fim puderam ver dois quadros mais aceitáveis que os demais.

Felipe Solari fez uma reportagem sobre preconceito, que só não foi mais interessante devido a idéia ter sido pouco explorada. A idéia era ver qual dos três tipos testados eram mais vítima de preconceito: uma loira, um homossexual ou um negro.

O primeiro teste, resultou 6 entre 6 homens escolhendo a loira para dar-lhes uma massagem e depois, quando a loira já não entrava nas opções, 7 entre 7 homens escolhendo o homossexual ao invés do negro.

O quadro só não foi melhor pelo que veio a seguir. O programa testou quem seria aordado por seguranças se esses três tipos de pessoa saissem de uma loja ao mesmo tempo que o sensor da loja acusasse a saída de uma mercadoria não paga.

Com apenas três testes feitos, que resultou em uma abordagem da loira e duas do negro, o programa ressaltou as atitudes preconceituosas para com os negros, mesmo usando uma amostra pequena (mesmo para um programa de TV) e aplicando esse segundo teste de forma um tanto quanto desorganizado.

Mion aprontando todas na Record!

Para finalizar o programa ainda foi mostrado uma reportagem de excelente qualidade sobre o desmatamento. Pela primeira vez em quase uma hora e meia de programa pode-se notar uma atitude realmente merecedora da alcunha de legendários, quando os atores plantaram mais de 6 mil árvores para tentar compensar o desmatamento desenfreado das matas nativas do Brasil.

No geral, o programa foi um tanto quanto confuso para o telespectador, que terá suas dúvidas ao querer repetir a dose aos sábados. É uma pena. Seria um desperdício que uma atração que conta com um elenco tão jovem e capaz não conseguir firmar uma identidade televisiva.

Tomare que nas próximas semanas o programa mostre para que veio e pare de tentar competir com os programas já existentes da TV brasileira no quesito de melhor jornalismo humorístico. Pelo menos um bom jargão Legendários já tem “A gente pode não mudar i mundo, mas estamos tentando“, e esse já é um começo.

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