NEXT CONQUEROR

o blog do Davi Jr.

REVIEW: Mangá O Estranho Mundo de Jack

O Japão é um país incrível. Históricamente falando, podemos citar os samurais, os imprérios e seus imperadores, as grandes batalhas e conquistas que já povoam o imaginário popular de todo o mundo. Recenemente analizando, temos sua rápida recuperação econômica após as perdas humanas e os destroços físicos provocados por duas bombas nucleares durante a Segunda Guerra Mundial. E, finalmente, mercadológicamente apostando, é uma dos maiores pólos consumidores de todo globo.

A própria figura do japonês consumidor já está esteriotipada em todo mundo: cada nipônico é visto comoum comprador inveterado, que compra e descarta produtos tecnológicos como se fossem embalagens de biscoito. Quem nunca ouviu expressões como “no Japão você já encontra um desses no lixo” quando acabou de ver o último lançamento de um mp25 em uma loja de eletrônicos.

O japonês é um dos povos mais consumistas do mundo.

Não só tecnologia, mas o povo japonês é um grande consumidor de cultura em geral, seja nacional ou importado, sej filmes, festas ou música. Bandas brasileiras que são conhecidos apenas por pequenas parcelas de pessoas em seu país de origem, já são sucesso no Japão, por exemplo. Graças a isso, a maior indústria do cinema, Hollywood, sempre vê o Japão como um potencial consumidor e, não dificilmente, se supreende com os fênomenos pop que sugem no país e que na maioria das vezes não estão previstos em suas planilhas de mercado.

Um dos maiores exemplos disso é o filme O Estranho Mundo de Jack (ou The Nightmare Before Christmas, no original) que mesmo sendo lançado em 1993, ainda mantêm um lugar de destaque nas prateleiras das lojas de brinquedos e souveniers de todo o Japão.

Os produtos da franquia aumentam a cada ano no Japão.

Com roteiro de Tim Burton e direção de Henry Selick, o filme conta a história de Jack Skellington, o rei da Cidade do Halloween, povoada por bruxos, monstros, vampiros, morcegos e fantasmas que vivem em função de sua tão aguardada festa anual do dia 31 de outubro que dá o nome da cidade. Apesar de não ser o prefeito e nem possuir um título político, o protagonista ganhou o título de “rei” por sempre tornar o Dia das Bruxas mais aterrorizante a cada ano.

Acontece que Jack está angustiado, sente um vazio por dentro que não sabe de onde vem. É quando este vai parar na Cidade do Natal, e fascinado com a alegria, a fraternidade, a decoração e todos os elementos da festa do dia 25 de dezembro, resolve trazê-la para seu mundo, mesmo não entendendo exatamente como funciona.

Jack quer levar o Natal para a Cidade do Halloween.

Apesar deste review não ter a intenção de focar o filme, nunca é demais elogiar a engenhosidade de Tim Burton. O peculiar autor já tinha a história de Jack desde o início dos anos 80, quando percebeu como os artigos de Halloween eram substituídas pelos artigos de Natal nas lojas em todo mês de novembro. Assim, unindo as duas festas mais populares, e mais distintas, da cultura americana, Burton deu início a sua produção em Stop Motion (técnica de fotografia de bonecos para depois animá-las) em 1990, terminando três anos mais tarde.

O filme foi sucesso em todo o mundo, mas foi na terra do sol nascente que a produção virou um fenômeno “cult“. Assim, 11 anos após a estréia do filme, a editora Kodansha (a mesma de Sailor Moon) escalou Jun Asuka para a adaptação em mangá de O Estranho Mundo de Jack.

Esta obra foi um grande salto na carreira da autora, tanto em sua carreira nacional quanto internacional, já que já tendo produzido as histórias Koi Suru Uchujun (O extraterreste apaixonado), Koi no Tokubetsu Jugyo (Lições Especiais de Amor) e Shooting Star para a editora Nakayoshi, estas nunca tiveram grande repercussão a ponto de ganhar uma versão tankohon (edição encadernada).

O mangá traz um traço leve e expressivo.

Acostumada em desenhar shoujo mangás (histórias em quadrinhos para meninas) com um traço kawaii, ou “bonitinho”, a autora conta que teve teve dificuldade a se adequar a’O Estranho Mundo de Jack, que seria voltado para um públicomais jovem e adulto.

No início, pelo fato de que gosto muito do film, adotei uma abordagem de fã, mas aos poucos tive que mudar isso, assumindo um posicionamento mais profissional. Mesmo porque o objetivo não era atingir somente fãs.”

Apesar das dificuldades, o resultado final do mangá impressiona. Muito fiel ao roteiro original, revivemos a cada página, toda a magia com pitadas de terror que Tim Burton quis  provocar em sua obra original.

Os elementos que aproximam o horror e a inocência ficam ainda mais explícitos nas mãos da autora, que de maneira leve e traços finos, agrada os aventureiros de primeira viagem e comove os fãs de longa data.

A adaptação de Sally para o mangá foi a mais dificil.

Talvéz pela autora estar acostumada a escrever para garotas, a personagem Sally, garota de pano criada pelo doutor Flinkstein, ganha um destaque maior na obra, tendo sua personalidade e expressões mais explorados pela mangaká do que pelo próprio filme.

“Sally foi a personagem mais dificil de desenhar. Especialmente o rosto. Como ela é cheia de cicatrizes, sua imagem poderia ficar pesada em um gibi jovem. Tive que achar o meio termo ideal para representa-la para deixá-la mais suave.”

É fácil ver o mangá e o filme como obras distintas, apesar de ter o mesmo roteiro, uma completa a a outra. Na maioria de obras mal adaptadas, o leitor sente a necessidade de a todo momento compara-la com a original, mas o mangá O Estranho Mundo de Jack encontrou uma linguagem tão própria, o que inclui desenho e texto, que está livre destas comparações.

A única saudade deixada após a leitura são os musicais. As canções de Danny Elfman, no Brasil adaptadas por Marlene Costa, Marcelo Coutinho e Pavios Euthymaiou, fizeram história no cinema, e ao ler os quadrinhos, dá vontade de cantá-las a cada balão acompanhado de um “♪”.

No Brasil, o mangá foi publicado em 2007, um mês após o lançamento de Naruto, pela editora Panini no formato 21,3 x 16,2 (o mesmo utilizado atualmente em Mônica Jovem), com 188 páginas a um preço de R$14,90.

No Brasil, a publicação é da editora Panini.

O lançamento teve uma divulgação modesta, sendo dificl de encontrar nas bancas de revista fora do eixo Rio-São Paulo. Apesar do preço acima da média de seus títulos, a publicação seguiu o fomato padrão da editora: capa cartonada brilhante, exclente tinta de impressão (bem preta) e horrível papel Pisa-brite 52. Na capa, há o selo Planet Mangá, a publicação não traz o checklist da editora, mas inclui uma propaganda da 2ªcapa, algo não comum em qualquer outra publicação com esse selo.

Além dos quadrinhos, a Panini ainda inclui a sessão extra inclusa no material original que conta um pouco sobre o filme e os bastidores do da produção do mangá.

Sem mais delongas, O Estranho Mundo de Jack merece o lugar cativo que conseguiu no comércio japonês e, certamente, também merece um lugar cativo na sua coleção de mangás.

Anúncios

3 Respostas para “REVIEW: Mangá O Estranho Mundo de Jack

  1. Pingback: Os números de 2010 « NEXT CONQUEROR

  2. Stephany março 1, 2011 às 9:32 pm

    Já fazem quatro anos q mangá foi lançado. Será q pode-se encontrar ainda?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: