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o blog do Davi Jr.

Greve nas escolas públicas estaduais em São Paulo: uma vergonha para o governo e para os professores

Desde 1996, o ensino das escolas públicas estaduais do Estado de São Paulo  mergulhou em uma crise que cada vez mais fundo causa dano ao orgulho do professor e a falta de experiência do aluno.

Neste ano, durante o governo Mário Covas, se instalou uma das piores maneiras de promover o aluno: a chamada “Proressão Contínua” nas séries de Ensino Fundamental. A base deste sistema é a promover o aluno de ano bastando que, independente da avalição do professor, este tenha mais de 75% de presença nas aulas.

Resultado da progressão contínua: o aluno corre o risco de passar de ano sem saber...

Se antes o professor era a autoridade máxima dentro de uma sala de aula, sendo o responsável pela a avaliação do desenvolvimento educacional do aluno, após a progressão contínua, este passa a um papel de coadjuvante, já que indetpendente do tamanho de seu esforço ou do grau de instrução adquirido pelo aluno, este poderá seguir para a série posterior se estiver presente da sala de aula.

Os motivos dados pelo governo estadual é simples: um aluno que não repita de ano, não terá risco de se traumatizar por não conseguir atingir as expectativas do professor e cursar a mesma série novamente. O problema, é que este sistems ignora que durante o Ensino Médio o aluno poderá ser recluso em um dos anos se não estiver com um nível de instrução satisfatório, e que agora, o problema não mais será lidar com uma criança traumatizada, mas com um adolescente frustrado.

O governo estadual usa o argumento que esse sistema é adotado em alguns países da Europa e é muito eficiente. Porém, este ignora que a realidade social da Europa é muito diferente da brasileira. Lá há familias bem estruturadas e um grau de instrução alto, o que facilita o trabalho do professor na hora de avaliar um aluno, que diferente do brasileiro, conhece a importância do estudo.

A educação pública de SP deixa muito a desejar.

A progressão contínua, apesar de ser alvo de crítica, era tolerada pelos profesores, que usavam de todas as técnicas humanas e pedagógicas para driblar as desvantagens do ensino e tentar, na medida do possível, manter um ensino que tentasse preparaar o aluno para o mercado de trabalho. Porém, a gota d’água ocorreu no fim de 2009, quando o governo estadual impôs o “Processo Seletivo Simplificado – PEB I e II” para os profesores não efetivos do ensino público.

O conteúdo da prova não correspondia a realidade da sala de aula, sendo o responsável pela reprova de vários professores, que não mais poderiam ministrar aulas em 2010.

A APEOESP, sindicato dos professores do Estado, entrou com um recurso na justiça para que a prova se tornasse apenas uma ferramenta classificatória, inpedindo assim, que os professores que há anos são os responsáveis pela formação educacional e cidadã dos alunos da rede pública não se afastassem do seu trabalho.

A APEOESP é osindicato dos professores, que luta por melhorias na educação e no respeito ao professor das escolas públicas de São Paulo.

Entre audiências e apelações, a briga na justiça continua até hoje. Entre danos  provocados por essa prova, está a desorganização durante a atribuição de aulas, falta de professores nas salas de aula e a crescente insatifação dos professores que a cada dia se sentem mais desvalorizados.

Somado ao fato que o salário dos professores não recebe reajuste a um bom tempo, na última sexta-feira, a APEOESP iniciou em todo o Estado uma greve exigindo uma ordem geral na casa: entre outras coisas, esta exige o fim progressão contínua, o fim de provas seletivas e um reajuste de 37% ao salário do professor.

Esta greve tinha tudo para ser um marco na história educacional do país: pela primeira vez toda a classe de professores tem a oportunidade de, apoiado pelo seu sindicato, reinvindicar seus direitos e lutar pela mudança de um sistema educacional falido.

E alguém tem uma aposta para qual será o resultado de tudo isso? Simples, se continuar do jeito que a coisa vem evoluindo, não passará de uma vaga lembrança de uma verdadeira vergonha na história sindical do estado.

Onde está a repercussão na mídia? Quase zero. Não se vê nenhum analista ou profissional da educação contemplando as causas e reinvindicações dos professores.

Nem mesmo os partidos oportunistas da esquerda do Estado se pronunciaram ou estão apoiando a causa. Será que nem estes perceberam ainda que a educação é a principal deficiência da hegemonia politica do PSDB no Estado de São Paulo? Por acaso naõ percebem que este pode ser o chique-mate para vencer as próximas eleições? Ou será que mesmo os partidos de esquerda se sentem confortáveis em continuar com o sistema atual se por um acaso assumissem a cadeira do governo do Estado?

Mais de 10 mil professores aprovaram a greve por tempo indeterminado.

Especulações e suposições a parte, as negociações da APEOSESP com o governo não parecem gerar resultados…Isso porque, mesmo com quase uma semana de paralização, governo e sociedade não parecem incomodados com ela.

A paralização está ocorrendo numa parcela muito pequena de escolas, e mesmo dentro destas, ainda há professores que se recusam a aderi-la.

Isso mostra como a atual geração de professores ainda não encontrou uma ideologia. O que parece é que são um bando de profissionais descontentes que preferem esquentar seus traseiros em cadeiras de madeira e fingir ministrar aulas para alunos que mal sabem o porquê de estar na escola. A atual geração deixou de ser aquela que nossos pais se acostumaram a ver lutando durante a ditadura militar ao lado dos jovens revolucionários.

Faz tempo que não aparece um sindicato tão digno de admiração como a APEOESP. O sindicato, somado aos professores que aderiram a paralização parecem ser os únicos que perceberam a importância que uma estrutura educacional tem na construção deste país.

E faz tempo que não aparecem profissionais tão dignos de desprezo como os porfessores que não aderiram a greve… Talvéz, estes prefiram se conformar a dar aulas num sitema falido, do que apoiar a ação de seu sindicato e lutar por um futuro para aqueles a quem são destinadas as suas aulas.

E assim, quem perde não são as estatisticas do governo, são os alunos nas escolas.

Agora um comentário pessoal: como aluno, me sinto lesado por ter que aturar os mesmos professores que me incentivaram a lutar pelo que acredito, ficar em estado de latência diante da situação. Como professor, me sinto ofendido por ver colegas de profissão acomodados num sitema que tanto desprezam. E como cidadão, me sinto cada vez mais desolado por ver que políticos não estão interessados em melhorar a educação do país e a população tão pouco participativa nos rumos que o país vai tomar.

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3 Respostas para “Greve nas escolas públicas estaduais em São Paulo: uma vergonha para o governo e para os professores

  1. myrian abril 5, 2010 às 11:22 pm

    esse é uma pouca vergonha, pois alunos querendo estudar mas esses professoress não querem dar aula….

    • myrian abril 5, 2010 às 11:23 pm

      eles estão em greve por causa do ssalario…

    • nextconqueror abril 6, 2010 às 1:01 am

      Os professores querem dar aula sim.

      Estudaram para isso e amam o que fazem.

      Se não fosse essa dedicação, não haveria motivo para eles continuarem a greve. O salário é baixo e classe é mal tratada, tanto por alunos quanto pelo Estado.

      A greve vai continuar enquanto o Estado continuar a se negar a negociar e continuar a apresentar propagandas que não correspondem com a verdade…

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