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Parada Cosplay levou os maiores heróis do planeta à 31ª Festa da Uva de Jundiaí!

Com nove dias das mais variadas atrações de entretenimento, cultura e tradição, a Festa da Uva de Jundiaí, tradicionalmente realizada no Parque Antonio Carbonari na Avenida 9 de Julho, começou sua 31ª edição com muitas atrações voltadas para a família do jundiaiense.

Entre as diversas áreas temáticas dos eventos, diversas intervenções artísticas vão ocorrendo em diversas partes do local do evento, sendo que o destaque da tarde do primeiro sábado, dia 1º de fevereiro, foi a engenhosa Parada Cosplay.

Organizada pela mesma equipe que realizou o evento Jund Comics no Museu Solar do Barão em Novembro de 2013 e apoiada pela Cia de Teatro Techniatto, a atração trouxe heróis, vilões, princesas e diversos personagens dos quadrinhos, cinema, games, animes e mangás para o Parque da Uva, encantando crianças e realizando o sonho de muitos adultos.

Contando com fãs oriundos de Jundiaí e região, além de São Paulo, Guarulhos e Campinas, a parada reuniu cerca de 50 cosplayers que trouxeram a arte de representar seus personagens favoritos em cada canto da Festa da Uva.

Entre os personagens mais famosos, era possível conferir desde os clássicos da Disney, DC e Marvel Comics até fenômenos recentes da cultura pop, como Dragon Ball, Pokémon, Super Mario e o ícone dos anos 90 Os Cavaleiros do Zodíaco.

Divertindo a tudo e a todos, a Parada Cosplay marcou mais uma vez a Festa da Uva, deixando sua arte como atração e sua alegria como a lembrança dos sonhos dos heróis de nossa infância!

Confira abaixo as fotos tiradas pelo fotógrafo Sander Jr:

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RESENHA: Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, as Novas 12 Casas

Ouro, prata e bronze. Exploradores, esportistas, poetas e quantos mais competidores e conquistadores se pensar se inspiraram nesses três metais para refletir as a manifestação de seus desejos e sua vitória. Como símbolo máximo da superação em Os Cavaleiros do Zodíaco, a série Ômega criou uma subida as Novas 12 Casas do Zodiaco, mostram que a diferença entre cada um dos metais, está no coração de cada cavaleiro.

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ABREM AS CORTINAS DE UMA NOVA BATALHA

O final do arco das Ruínas Antigas causou uma reviravolta em Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega. Se no começo a série, ainda que criada em um universo distante do que poderia ser considerado uma continuação oficial da série, parecia resgatar a emoção que a série clássica com Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki causavam nos fãs, o desenvolvimento dos elementos da série sempre foram mal utilizados.

Mas com um final de arco que resgatou a essência da luta em favor e ao mesmo tempo muito chocante, a morte de Ária, a candidata à nova Atena de Marte, no arco anterior parecia que iria provocar uma extrema mudança de postura nos cinco cavaleiros de bronze protagonistas e também em Éden de Órion, que era apaixonado pela moça.

Somado a isso, os produtores tomaram uma decisão arriscada, porem previsível para a continuação da história. Com Marte de posse do báculo reconstruído de Atena, o pseudo-deus subiu ao alto das novas 12 Casas do Zodíaco, um caminho que o mesmo construiu até o seu templo indo da Terra até o ponto mais próximo do planeta Marte (!), fazendo com que Kouga e os outros subissem as moradas dos Cavaleiros de outro, tal qual a série clássica.

Kiki cria uma analogia com Mu de Áries ao apresentar as novas 12 Casas e o sétimo sentido.

Kiki cria uma analogia com Mu de Áries ao apresentar as novas 12 Casas e o sétimo sentido.

Se por um instante parecia estranho que Marte tivesse tido tempo de conseguir juntar uma equipe de 12 poderosos cavaleiros para montar a sua escolta máxima, a personalidade de cada um destes seria o que mais intrigava, visto que as possibilidades de haverem cavaleiros de ouro perversos, sempre foi uma relatividade da série, o que, aparentemente, não era o caso da postura de Marte.

O INÍCIO ELETRIZANTE: ÁRIES, TOURO, GÊMEOS E CÂNCER

A nova subida as 12 Casas pode ser divida em três momentos distintos: o início eletrizante, seu meado perdido e o fechamento inclusivo.

Motivados pelo desejo de justiça e vingança da morte de Ária, os cavaleiros de bronze tem uma reação orgulhosa ao se depararem com o desafio das 12 Casas impostas por Marte, realmente achando que podem subí-las e vencerem os seus 12 guardiões.

Quem assistiu aos arcos anteriores não poderia ter engolido isso, já que, diferente de Seiya e cia que tinham seus desenvolvimento muito claro a cada batalha, os protagonistas de Ômega sempre penaram muito para vencer até mesmo cavaleiros de prata sozinhos, sempre se utilizando de uma ajuda de fora ou da união de seus cosmos para vencer os inimigos, fazendo com que uma derrota fosse super previsível logo na primeira casa.

Harbinger de Touro é o quebra-ossos da história!

Harbinger de Touro é o quebra-ossos da história!

Felizmente, os produtores perceberam isso também e deixaram a primeira casa para servir de alerta ao jovens cavaleiros. Em uma alusão ao que fez Mu na série clássica, Kiki de Áries concertou as armaduras, explicou sobre o sétimos sentido e ainda ficou encarregado de segurar todo o panteão de outras classes de Marte na porta da Casa de Áries para que nenhum outro guerreiro atrapalhasse os cavaleiros de bronze em sua jornada.

A boa impressão causada por Kiki como Cavaleiros de Bronze, com uma postura de coragem, sabedoria e onisciência que seu mestre Mu tinha, foi a entrada que a saga precisava, fazendo da 2ª Casa um novo treinamento para as casas seguintes.

Amante do terror que suas vítimas passam ao terem seus ossos esmagados, Harbinger de Touro num primeiro momento se mostrou um cavaleiro cruel e mesquinho, mas sua aparência agressiva começou a despertar um novo ponto de vista do espectador a medida que suas atitudes curiosas no meio das batalhas começaram mais a testar os cavaleiros de bronze que matá-los, algo que logo no primeiro golpe Harbinger já mostrou que poderia ser capaz de fazê-lo.

Com a justificativa de querer brincar com o destino de cada um, Harbinger manda cada cavaleiro de bronze para a frente de cada uma das três casas do Zodíaco que viriam a seguir, ficando apenas batalhando com Kouga, o qual permite atravessar a casa quando percebe que seria muito mais vatajoso aguardar o cavaleiro despertar o sétimo sentido por completo para ter um prazer maior ao quebrar seus ossos.

Não se engane: Paradox de Gêmeos não é essa gracinha toda.

Não se engane: Paradox de Gêmeos não é essa gracinha toda.

Se Harbinger causou a curiosidade dos fãs, Gêmeos era a casa que mais causava apreensão, visto que seu representante da série clássica marcou para sempre como se encarar um cavaleiro de ouro.

Para a surpresa e a alegria geral, a batalha vista na Casa de Gêmeos foi a mais surpreendente e o que mais se aproximou dos combates de Seiya e cia.

Dona de uma personalidade oscilante e controversa, Paradox de Gêmeos é uma mulher que foi salva por Shiryu antes deste ter sido atingido pela maldição de Marte, o que a tornou uma fiel seguidora, fã e aspirante a amazona observando os movimentos de Shiryu o que a fez desenvolver todas as técnicas do discípulo do Mestre Ancião.

Em uma luta frenética e que surpreendia por cada movimento inusitado de Paradox, Ryuhou teve uma disputa de Cólera do Dragão vs. Cólera do Dragão que arrancou suspiros e alívios dos fãs. A qualidade de Paradox como amazona foi a prova cabal da qualidade que as personagens femininas tem em Ômega. Yuna, Pavlin, Ária, Sonia e agora Paradox: todas elas foram personagens acima da média para a série, merecendo serem criações canônes de Masami Kurumada.

E por falar na nova Amazona de Águia, que até então não mostrou o porquê de assumir a armadura de Marin, que era de prata, em uma vestimenta de bronze, Yuna foi a oponente de Schiller de Câncer.

A batalha em Câncer também foi no Yomotsu!

A batalha em Câncer também foi no Yomotsu!

Parece que a armadura de Câncer tem uma certa tendência a escolher psicotapas assissinos amalucados para ser seu representante. Com uma infância tão dura como Harbinger, Shciller teve que aprender a sobreviver após seus pais terem sido vítimas de uma guerra.

Tão interessante e entusiasmática quanto a luta contra Paradox, Yuna conseguiu mais uma vez se mostrar a personagem mais carismática e a lutadora mais talentosa dentro da nova trupe de cavaleiros de bronze defensores de Atena, sendo a primeira a conseguir vencer completamente o adversário de bronze.

Sua luta apenas não foi melhor porque Ryuhou resgatou vários elmentos da série clássica que Yuna não fez por não ter nenhuma ligação com o passado clássico.

MEADO PERDIDO: LEÃO, VIRGEM, LIBRA, ESCORPIÃO E AQUÁRIO

Uma das características marcantes da saga das 12 Casas clássica era a capacidade de cada uma das lutas centralizar todas as informações, embates e atenções para si, fazendo com que mesmo sequências de pouca repercussão geral, como a libertação de Hyoga do esquife de gelo na casa de Libra, se tornassem ponto chave para o desenvolvimento geral dentro do que acontecia única e exclusivamente dentro das 12 Casas.

Mycenas de Leão sempre gerou controvérsias por sua postura contrária a justiça representada por seu signo.

Mycenas de Leão sempre gerou controvérsias por sua postura contrária a justiça representada por seu signo.

Ômega parecia caminhar por um caminho parecido nos primeiros combates, porém, a falta de um contexto sólido em torno dos acontecimento das batalhas, fez com que o enredo principal fugisse das 12 Casas e estas se tornassem mero atrativo para fãs que gostam de vários sopapos entre personagens com armaduras.

O início de todo esse processo começa ainda na quinta casa, quando seu guardião Mycenas de Leão protagonizou a primeira sequência de acontecimentos fora de sua casa.

Se quando a sua rápida aparição no fim do arco inicial despertou dúvidas aos fãs, visto que uma das maiores características do Cavaleiro de Leão era uma justiça que o aliado de Marte não projetava com sua atitude combativa e irresponsável, a figura do personagem passou por uma transformação quando antes de iniciar sua luta contra Haruto e Souma, foi contado o seu passado como treinador de Éden de Órion e como seus ensinamentos incentivaram o cavaleiro a também mudar de postura.

Melhor amigo de Marte, Mycenas sempre acreditou nos ideais de amizade e justiça e sempre esteve ao lado do pseudo-deus quando este resolveu mudar o mundo. Porém, ao iniciar a Guerra dos Anos 2.000 contra Seiya e os outros, este ficou em dúvida das reais intenções do amigo, mesmo que decidindo continuar ao seu lado.

Gembu de Libra, Ionia de Capricónio e Fudou de Virgem: três pesos mortos na batalha das Novas 12 Casas.

Gembu de Libra, Ionia de Capricónio e Fudou de Virgem: três pesos mortos na batalha das Novas 12 Casas.

Conforme os anos se passaram, e vendo o exemplo de luta de Kouga e dos cavaleiros que escaparam do massacre de Palaestra, Mycenas passou a deixar de acreditar no que seus olhos viam para investigar Marte, deixando Haruto e Souma passarem por sua casa assim que estes mostraram para ele como podem trabalhar em equipe.

Motivado pelos valores de Mycenas, Éden decide entrar na batalha das 12 Casas a partir de Virgem, onde todos os cavaleiros de bronze estão perdidos numa luta contra Fudou de Virgem.

Se na Casa de Leão, a atenção simplesmente foi mudada de foco, na Casa de Virgem, uma das coisas mais bizarras ocorreu: em uma demonstração muito rala de seu grande poder, Fudou se mostra o atual cavaleiros mais próximo de deus. Com a chegada de Éden, ele deixa Kouga e os outros passarem pela casa, justificando que o pedido partira do filho de seu superior.

Por motivos infundados, egoístas ou sabe-se lá por que passava em sua cabeça, Éden decide enfrentar Fudou, que frustra todos os espectadores ao decidir sentar para meditar dizendo que não faz sentido lutar com quem ele quer proteger.

Se as duas casas anteriores ficaram mais focadas em acontecimentos que as fariam passar batido, Libra não seria diferente.

Esqueça o Pó de Diamante: Tokisada de Aquário controla o tempo!

Esqueça o Pó de Diamante: Tokisada de Aquário controla o tempo!

Odiado por todos a partir do momento que foi mostrado que sua origem conflitava com a série clássica, o ex-discípulo do Mestre Ancião e colega de treinamento de Shiryu, o atual cavaleiro de ouro Gembu de Libra mostrava ser o principal e mais marcante oponente de Ryuhou, que já mostrara uma show de protagonismo na luta contra Paradox.

Porém, mais uma vez as esperanças dos fãs foram frustradas quando ele se mostrou um aliado infiltrado que procurava informações de Marte para passar aos cavaleiros.

É nesse ponto que Medea, mãe de Éden e esposa de Marte, começa a ter uma participação mais ativa que uma simples comentarista das batalhas: com medo que os Cavaleiros atravessem as 12 Casas antes do tempo que Marte precisa para o cosmo da Terra ser sugado, ela decide destruir o caminho que liga Libra a Escorpião, obrigando Gembu a utilizar seu cosmo o resto da batalha para impedir que as 12 Casas sejam destruídas (novamente!).

Mas é ainda em Libra que acontece a primeira e mais frustrante Batalha de Mil Dias, aquela que dois cavaleiros de ouro se enfrentam. Tokisada de Aquário, rival de Haruto e ex-cavaleiro de prata de relógio, é promovido por Medea com a armadura de ouro e é mandado para a Casa de Libra impedir a passagem dos cavaleiros, mas é facilmente vencido por Gembu e logo depois disso, é morto por Haruto em uma batalha realizada em outra dimensão, visto que a armadura de Aquário foi amaldiçoada (!) com o controle do tempo!

Medea é a grande arquiteta dos planos de Marte!

Medea é a grande arquiteta dos planos de Marte!

Ou seja, mais uma vez, o que mais influenciou na história foi o que aconteceu na tangência das 12 Casas. Forçada ao extremo, os acontecimentos de Libra foram precisos para que uma ordem de “chefões” fosse criada nas últimas casas.

A luta em Escorpião poderia ter sido épica e o grande apogeu das 12 Casas, porém, as frustrações dos acontecimentos anteriores e a consciência que Souma ainda não tinha condições de protagonizar uma luta final com um cavaleiros de ouro acabou desmotivando a admiração da batalha.

Também promovida por Medea, Sonia de Escorpião, a ex-amazona de prata de Vespa e filha de Marte, enteada de Medea e meia-irmã de Éden, se tornou a representante da armadura da nona casa do zodíaco.

Dona de uma personalidade assombrosamente devota e submissa aos interesses do pai e da madrasta, Sonia sempre quis ser reconhecida pelo seu trabalho para ter a admiração e o carinho que seus responsáveis sempre deram a Éden.

A falta de inveja, comum em condições como a dela, e o desejo por sempre melhorar faziam da personagem uma das mais interessantes para um desenvolvimento psicológico a longo prazo, ainda mais após os flash-backs que mostraram o sofrimento da personagem ao matar o pai de Souma, Kazuma de Cruzeiro do Sul.

Talvéz pelo excesso de protagonistas ou pela falta de planejamento da série a longo prazo, os roteiristas decidiram matar a personagem em sua cega vontade de mostrar seu valor ao pai, logo após Souma despertar o seu sétimo sentido.

Poderiam ter aproveitado melhor o papel de Sonia na história.

Poderiam ter aproveitado melhor o papel de Sonia na história.

Mesmo que vilã, a personagem se tornou uma segunda mártir da batalha desmedida de Marte e voltou a chamar a atenção para o fim dessa Guerra sem sentido, ainda que, com sua morte, sua participação se tornou vazia ao se avaliar um plano geral e sem idealismo algum na série, que perdeu uma oportunidade de dar uma importante lição de paternidade a grande gama de espectadores da velha guarda da franquia.

FINAL INCLUSIVO

Capricórnio teria sido incluído na parte de meados perdidos se não fosse o fato das batalhas voltarem a ser o foco do enredo com sua participação.

Se Gembu se tornara uma decepção ao se mostrar aliado, Ionia de Capricórnio conseguiu superar qualquer decepção que a série poderia criar: até pior que Ichi de Hidra se voltando contra Atena no arco das Ruínas Antigas: o cavaleiro é um débil-mental devoto de Atena com uma ideia distorcida do que é ser um cavaleiro: fazer Atena parar de sofrer.

E qual a melhor maneira de fazer Saori Kido parar de sofrer? Matá-la e deixar Marte tomando conta do mundo que está um verdadeiro caos.

Deixando o Cavaleiro de lado, a luta valeu a pena por colocar Kouga cara-a-cara com seu cosmo das trevas que Atena havia ocultado ao adotá-lo. Ainda melhor: a batalha ressaltou a importância de Yuna de Águia como amiga do protagonista-mór, já que ela que impediu que ele se entregasse a força malígna.

O cosmo negro de Kouga desperta no fim das 12 Casas!

O cosmo negro de Kouga desperta no fim das 12 Casas!

Prova que Yuna é uma personagem tão interessante que deveria estar na série canônica é que apenas ela e Kouga passaram pela Casa de Sagitário e leram o antigo testamento de Aiolos: Aos valorosos cavaleiros que chegarem até aqui, eu lhes confio Atena. Além disso, é Yuna também que compra a briga na última das 12 Casas.

Amor de Peixes é a concepção ideal do que deveriam ser todos os cavaleiros de Ouro inimigos da série: sangue nos olhos, o irmão de Medea mata Mycenas de Leão quando este descobre que esta está manipulando Marte para que este ressuscite um antigo deus da Mitologia.

Além disso, O Cavaleiro que governa a fascinação e a orientação, como ele mesmo se define, ainda cria avatares dos Quatro Reis Celestiais que combateram junto com Marte na Guerra Santa dos Anos 2000 (Romulus, Diana, Bachus e Vulcanus) para dar conta de Kouga, Ryuhou, Souma e Haruto enquanto ele luta apaixonadamente contra Yuna. Com a audácia da amazona de Águia, ela consegue abrir uma brecha para que Kouga e Éden passem pela casa, abrindo caminho para o arco final, igualmente com o fim de Amor.

RUMO AO PLANETA MARTE!

A batalha final contra Marte e a conclusão da primeira saga de Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega ficaram para um arco próprio, fazendo da Batalha das 12 Casas uma sequência de acontecimentos apenas para batalhas contra os cavaleiros de ouro.

Amor de Peixes sobreviveu a batalha das 12 Casas para concluir o plano de Medea no planeta Marte!

Amor de Peixes sobreviveu a batalha das 12 Casas para concluir o plano de Medea no planeta Marte!

Apesar de interessantes até certo ponto, os dourados de Ômega e o próprio arco, foram cheio de oscilações, desde a personalidade dos personagens, passando pelo objetivo geral da história e a própria motivação dos roteiristas, que por vezes, pareceram perdidos criando situações que, mesmo para um spin-off, fica difícil de se traduzir como algo que conta o futuro das batalhas de Seiya e os cavaleiros de bronze do século XX.

Se em certos pontos os protagonistas puderam se sobressair à falta de razão para sua existência dentro do universo de Os Cavaleiros do Zodíaco (como a batalha de Ryuhou contra Paradox ou do papel de Yuna dentro do desenvolver da batalha de Kouga contra Ionia), muitas das batalhas apenas cansaram suas imagens, como foi o caso de Haruto e suas meia batalhas contra Mycenas e Tokisada, onde mesmo tendo relações tão próximas deste último com seu passado, o contexto ficou amarrado em demonstrações de poder da enxurrada de shonens vazios que o mercado de animações ganha todos os dias.

Se aproveitando de um interesse de longa data dos fãs que sempre sonharam em ver uma nova subida às 12 Casas, tal arco da série Ômega conseguiu se sobressair em audiência, licenciamento e faturamento, algo cada vez mais corriqueiro na serie que cada vez mais parece querer entreter e repercutir, deixando os valores, as lições e, principalmente, os exemplos de amizade e perseverança que cada uma das batalhas contra um signo do Zodíaco deveriam ter.

O planeta Marte ainda prepara grandes revelações!

O planeta Marte ainda prepara grandes revelações!

RESENHA: Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, o arco das Ruínas Antigas

Ao se falar de valor, fala-se de algo muito relativo. Tão difícil é saber o quanto de valor um objeto pode carregar em comparação com qualquer tipo de prognóstico praticado, é fazer a avaliação medindo as qualidades e as virtudes de uma pessoa. Em Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, os protagonistas tiveram a chance de compartilhar um mundo novo durante o arco das Ruínas Antigas, e os roteiristas, a chance de valorizar seus personagens.

BRONZE, PRATA E OURO

Uma das características mais marcantes dentro do universo de Saint Seiya é a classificação das armaduras que guerreiros de Atena vestem. No topo da hierarquia, estão os cavaleiros de Ouro, lutadores que dominam a essência do cosmo e seu nível mais elevado. O nível intermediário é formado pelos cavaleiros de prata, com capacidades que variam de líderes de missões, ao treinamento de aspirantes. E no mais baixo nível encontram-se os cavaleiros de bronze, que não por coincidência, são os proagonistas da série clássica e da série Ômega.

Colocando os protagonistas num nível baixo, Masami Kurumada escolheu fazer com que seus personagens trilhassem um caminho que se tornou referência na construção de um mangá shonen moderno: a superação de limites e o amadurecimento físico e psicológico dos personagens, fazendo com que o bronze alcançasse o ouro mesmo ainda sendo bronze.

Em Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, a escolha foi bastante similar para a construção da linha evolutiva da narrativa: Kouga, o atual cavaleiro de Pégaso enfrentou em Palaestra (leia a resenha deste arco aqui) vários cavaleiros de bronze para chegar até o segundo arco da história apto para enfrentar cavaleiros de prata.

Haruto de Lobo se juntou a Kouga no fim do arco de Palaestra.

Se a linha de pensamento parece lógica e plausível, a execução da ideia demorou para ser bem transmitida ao espectador, mas todo o desenvolvimento do arco das Ruínas Antigas foi muito bom para amadurecer o roteiro e passar a fazer o que Kurumada sempre fez tão bem desde o primeiro capítulo do primeiro mangá de Saint Seiya.

SUGANDO TODO O COSMO DA TERRA

Tendo início logo após Seiya de Sagitário salvar Kouga e os outros cavaleiros de bronze de morrerem pelas mãos do vilão Marte quando este invadiu Palaestra, o arco das Ruínas antigas começa quebrando mais paradigmas da série clássica e acrescentando mais novos elementos ao enredo.

Após destruir todo o Santuário da Grécia e erguer a Torre de Babel, Marte passa a se utilizar de cinco ruínas elementais para “sugar” o cosmo da Terra e alimentar sua Torre com todo o poder que ele precisa para concluir seus planos malignos. Para que a vida na Terra não se extinga, é necessário que um cavaleiro do mesmo elemento que a Ruína destrua seu núcleo após vencer os guardiões que Marte, pois em cada uma delas, em sua maioria, cavaleiros de prata traidores de Atena que apóiam a causa do marciano.

Dois novos personagens entram para a equipe de Kouga, Haruto de Lobo, um cavaleiro de bronze que Kouga libertou de Palaestra antes de serem salvos por Seiya, e Ária, a candidata de Marte para se tornar a nova deusa Atena.

Ária tem um inimaginável cosmo de luz em seu interior.

Haruto é um ninja (mas não é loiro, nem veste laranja), o que pode parecer muito estranho num primeiro ponto de vista. Encarnando o personagem frio da história, o passado do cavaleiro é marcado por muitas desgraças envolvendo seu irmão e sua antiga vila ninja (!). Mesmo sendo totalmente fora de contexto, o personagem serve para dar um nova dimensão a Cavaleiros com os laços da sua cultura japonesa, que nunca foi colocada em primeiro plano em Os Cavaleiros do Zodíaco.

Ária não só é dona de um esplêndido cosmo do tipo luz, como alguém completa o time perfeitamente, já que sua personalidade é a oposta da de Yuna, sempre muito calma, serena, bondosa e frágil. Além de ser a personagem um componente essencial para que os cavaleiros de bronze consigam desfazer as ruínas dos elementos, ela ainda é o gancho essencial para o começo e o surpreendente final do arco.

REVELAÇÕES COMO OS CAVALEIROS DO PASSADO

Novos conceitos, novos personagens, novos vilões e novo tudo! Mas o que mais se destaca durante o arco das Ruínas Antigas é o encontro dos protagonistas com os personagens da velha guarda.

Além de revelarem e justificarem o porquê de estarem fora de batalha, pincelar um pouco da Guerra Santa do ano 2.000 contra Marte e revelar que um meteoro trouxe Kouga e Ária do espaço, e de quebra ampliar os poderes do vilão de cabeça quente e alterar a forma das armaduras para jóias, são eles que fazem o papel de amadurecer os jovens cavaleiros em sua jornada rumo ao encontro de Atena.

No arco, um flashback revelou o que transformou as armaduras e o que impossibilitou Seiya e os outros de usarem seus cosmos.

Shun de Andrômeda, que virou uma espécie de médico de um vilarejo perto da Ruína da Terra, é quem mostra a Ryuhou de Dragão a importância de se valorizar e confiar na amizade durante uma batalha.

Jabu de Unicórnio, que aparentemente se aposentou de ser cavaleiro após receber a maldição do golpe de Marte, faz com que o ódio que Souma de Leão Menor sente por Sonia, a filha de Marte, seja controlado.

Shiriu de Dragão, que permanece sem os cinco sentidos nos Picos Antigos de Rozan, é quem motiva a Haruto de Lobo a enfrentar seu passado e tomar as rédeas daquilo que acredita.

E por fim, é Hyoga de Cisne que precisa mostrar a Kouga que de nada adianta se lamentar por ter perdido tudo o que ama, pois é da fé e na esperança de um mundo de paz, que os cavaleiros fazem elevar seu cosmo ao máximo!

Apenas Yuna foi quem ficou a mercê de um exemplo original da série. Sua mestra Pavlin de Pavão foi morta por três cavaleiros de prata numa luta injusta e covarde, fazendo com que a guerreira acredite mais em seus ensinamentos que nas regras do Santuário impostas as mulheres.

Pavlin de Pavão conquistou tantos fãs quanto Yuna de Águia!

Além disso, é com o jeito infantil e curioso de Ária, que Yuna aprende os valores femininos e como uma mulher, mesmo lutando pela justiça, deve manter seu lado frágil para não perder sua sensibilidade com os pequenos, porém belos, detalhes da vida.

As ligações de Yuna e Haruto com Marin de Águia e Nachi de Lobo sequer foram citadas, Ikki de Fênix só apareceu nas lembranças dos outros cavaleiros e mesmo Geki de Urso estar preso na armadilha de Marte, um quinto elemento da turma das antigas aparece para ser sensibilizado por Ária, pois diferente de seus nove companheiros de Guerra Galáctica, Ichi de Hidra Fêmea acabou se rendendo as forças do mal.

Que Ichi nunca foi um personagem lá muito popular todos concordam, mas que os roteiristas pegaram pesado com sua participação, isso o fizeram, pois mesmo ele não teria submetido ao que se submeteu em Ômega, onde teve sua personalidade totalmente reformulada.

Sonhando em se tornar o cavaleiro mais forte (e mais belo, argh!) de Atena, o antigo cavaleiro de bronze de Hidra Fêmea aceita de Marte a armadura de prata de Hidra Macho para vencer os cavaleiros de bronze enquanto estes se dirigiam ao Ruína da Água.

De bronze à prata: Ichi decepcionou uma legião de fãs!

Ao final, o cavaleiro parece se arrepender, mas mesmo que pegando o fã de longa data desprevenido com tal contexto para o personagem é muito contestável até que ponto uma nova série deve alterar a personalidade original do personagem para apresentá-la a uma nova geração de fãs.

TEMPO!

Mesmo passando as 6h30 da manhã de domingo no Japão, Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega rendeu uma boa audiência durante a exibição do arco das Ruínas Antigas, tendo seus picos nos episódios com participação de Shun e cia. Isso fez com que a Toei esticasse um pouco o arco, trazendo alguns episódios desnecessários, sendo o principal o episódio em que os seis protagonistas viram empregados em um estabelecimento comercial.

Outro ponto é a trivialidade com que os inimigos aparecem e desaparecem. Muitos cavaleiros de prata em muitos episódios foram criados, mas mal puderam mostrar o que fazem, pois, se no início os primeiros trios de prata que enfrentavam os cavaleiros duraram três ou quatro episódios, muitos dos outros morreram facilmente com um ou outro golpe dos bronzeados, algo que além de estranho, não parece ter sido aplicado no timing correto para o desenvolvimento de poder dos personagens.

Perdendo parte de sua vida, Shun ainda queima seu cosmo para ajudar Kouga e Ryuhou!

Na série clássica, um dos pontos importantes sempre foi como o vilão marca a história. Não é benéfico para uma história como Cavaleiros, onde os fãs aguardam fervorosamente que uma nova constelação apareça junto com o inimigo para poder conhecê-la acabe tão rápido, devido ao formato de episódio fechado que optou-se por fazer a história, sempre com começo meio e fim no enredo próprio do episódio, deixando um curta linha de raciocínio para o próximo episódio.

Além disso, a Toei pecou por vezes ao acabar ampliando os destinos dos personagens fazendo-os se separar de Ária, que em teoria é quem mais deveriam proteger, tanto por sua fragilidade quanto por sem ela não ser possível desfazer o funcionamento das ruínas.

A coisa chega a tal ponto que Kouga e Yuna ficam sozinhas com Ária, abrindo brecha para Éden de Órion recuperar sua noiva e levá-la de volta até a Torre de Babel, onde está toda a família do cavaleiro de bronze, sua irmã Sonia e seus pais Marte e Medeia.

O relacionamento do garoto com sua família é um dos destaques do arco. Éden sempre admirou a força e a sabedoria de seus pais e sempre cresceu tendo sua irmã Sonia de Vespa, amazona de prata que lidera todos os cavaleiros abaixo da classe de ouro. Porém, enquanto seus laços com Ária e a experiência com Kouga e os outros se intensifica, Éden muitas vezes fica em cheque ao julgar as atitudes de seu pai.

Os vários flashbacks que vão contando a personalidade do cavaleiro revelam uma personalidade fraca por trás do título de cavaleiro de bronze mais poderoso. Éden busca uma constante aprovação dos pais, quer ser reconhecido e quer, ao final das contas, formar uma família melhor que a dele, embora o condicionamento sofrido durante sua juventude tenha o formado tão próximo do que é Marte.

FINAL DE TEMPORADA! FINALMENTE CAVALEIROS!

Uma característica marcante nos mangás shonens e principalmente em Os Cavaleiros do Zodíaco é a superação de obstáculos. Mesmo mais fracos que aqueles que enfrentavam, Seiya e os outros sempre tiveram a determinação necessária para aprender a controlar o infinito cosmo que todo ser humano tem para poder, nem que fosse por um milésimo de segundo, superar e vencer o adversário.

Um dos incômodos no arco das Ruínas Antigas foi a falta de superação de personagens. Possivelmente por refletir os acomodados jovens dos anos 10 ao invés dos revolucionários dos anos 80, ou simplesmente por um erro da série, Kouga e os outros venciam, mas não por superar o adversário, mas ou por contar com a ajuda de um cavaleiro veterano (como Shun de Andrômeda) ou por unirem seus golpes para vencer em dupla um único inimigo.

Felizmente, no fim do arco, que também marcou o fim da primeira temporada de episódios, os protagonistas finalmente puderam ganhar a honra de serem chamados de Cavaleiros de Atena.

Éden de Órion era pretendido a se casar com Ária e se tornar o deus do novo mundo criado por Marte!

Enfrentando Marte aos pés da Torre de Babel, os elementos coletados nas Ruínas Antigas geram uma espécie de báculo para Ária. A confiança de Ária em assumir a linha de frente da batalha que parecia estar perdida para Kouga, Souma, Yuna, Ryuhou e Haruto começa a ganhar vida e os cavaleiros de bronze passam a ter uma postura de heroi num texto muito mais próximo ao de Masami Kurumada.

E para finalizar com chave de ouro, a surpreendente morte de Ária pelas mãos de Marte, que diz ter conseguido o que queria ao pegar o báculo da garota, finalmente pode refletir o que é Os Cavaleiros do Zodíaco para a nova geração de fãs: uma série extremamente criativa visualmente, mas também cheia de razão de ser, pois não está atrelada a propósitos vazios, mas nos sentimentos que movem o ser humano a sempre seguir em frente, independente das quedas sofridas.

O arco como um todo foi uma chance que os roteiristas tiveram ao, somar tudo o que aconteceu com os personagens, amadurecer a personalidade de cada um deles e prepará-los para possíveis novos combates que exijam muito mais deles como personagens para conseguir sustentar a série. Mais que isso, foi uma oportunidade dos próprios roteiristas amadurecerem seu conceito sobre o universo de Os Cavaleiros do Zodíaco para continuar com uma história tão épica quanto foi a de Saori, Ikki, Shun, Hyoga, Shiryu e Seiya.

Uma cena clássica dentro de Ômega: Ária e os cavaleiros de bronze!

RESENHA: Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, o arco de Palaestra

“Sempre que as forças do mal tentam dominar a Terra, os cavaleiros de Atena surgem para protegê-la e as cortinas de uma nova Guerra Santa se abrem.” Era com essa frase que em em 1986 estreiou na TV Asahi o anime que emocionou jovens e adultos no mundo todo durantes os anos 80 e 90. Mais de duas décadas e meia depois, a mesma rede de TV japonesa estréia Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega para que novos jovens e adultos sejam apresentados através de Palaestra a um mundo de heróis e vilões, sonhos e esperanças.

SURGE UM NOVO PÉGASO

Parece que foi ontem a primeira vez que Seiya, um orfão japonês enviado ao Santuário da Grécia, sagrou-se campeão em uma disputa de mais de 100 candidatos ao título de cavaleiro de bronze de conseguiu a armadura sagrada de Pégaso vencendo o gigante Cássius.

Se para um japonês isso já faz mais de 26 anos e para o resto do mundo já quase completará duas décadas de histórias incríveis e excitantes, para as crianças da década de 2.000 isso nunca parece ter acontecido.

Rompendo fronteiras desde que começou a ser contada a sua história nas páginas da Shonen Jump, Seiya e os outros cavaleiros de bronze quebraram recordes atrás de recordes em audiência e vendas de bonecos em todo o mundo graças a um história cativante que amadurece a medida que o leitor também se desenvolve.

O novo protagonista é um misto da figura do herói oriental e ocidental.

Porém, assim como são as inúmeras Guerras Santas que Atena travou com diversos deuses por toda a história, a história do Pégaso que subiu aos céus para proteger a sua deusa passou a virar um marco distante da história, mantendo-se na mente dos fãs, mas desconhecido para o público jovem.

Conhecendo o potencial da série, diversas mídias se utilizaram da história de Seiya para gerar novos fãs e novas vendas. A animação da Saga de Hades, o filme Prólogo do Céu, as novas linhas de bonecos, os mangás Episódio G, The Lost Canvas e Next Dimension (este último escrito pelo próprio autor) sempre foram muito bem recebidos pelos fãs de longa data, mas nada que superasse o principal apelo midiático que séries como One Piece, Naruto e Bleach tiveram nos anos 2000: sua presença na TV.

Por até hoje ser uma da séries mais rentáveis da Toei Animation, o estúdio de animação tomou uma decisão inesperada no ano 2012: fazer renascer a história dos cavaleiros de Atena em uma série de tv totalmente nova e atualizada no tempo para os dias de hoje a fim de despertar a identificação com o público mais rentável de animações: as crianças. Nasceu Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega (ou Saint Seiya Ω, no original).

Souma, o cavaleiro de bronze de Leão Menor, é brasileiro!

PALAESTRA

Após uma estréia divisora de águas no segmento de animações japonesas em que a Toei fez simultâneamente uma pré-estreia em cinemas de cinco países (Brasil, França, China, Coréia do Sul e é claro, Japão) espalhados por todo o globo, o primeiro episódio refletiu muito bem o que seria toda a série: uma nova história empolgante com potencial de marcar uma geração mas que não tem uma razão de ser (leia a resenha com as primeiras impressões clicando aqui).

O tempo sempre foi um elemento curioso em Os Cavaleiros do Zodíaco. Fora a localização histórica das Guerras Santas, o ano nunca refletiu muita coisa, já que como num conto cavaleiresco europeu da época do Romantismo, o cenário e o desenvolvimento da história sempre acontece em lugares idealizados, distantes da realidade propriamente dita. Mas metáforas a parte, foi uma boa jogada de marketing fazer como Masami Kurumada, o autor do mangá original, fez nos anos 80, localizar o tempo-espaço na época presente, fazendo com que o espectador se aproxime da história, no caso de Ômega, o ano de 2012.

Além de dar a impressão que os personagens estão lutando em algum lugar do mundo enquanto o espectador assiste sua aventura, parece muito mais crível, do ponto de vista da criança, que a possibilidade de se tornar um herói aconteça com ela.

E o cenário segue a mesma premissa do tempo escolhido: para o primeiro arco não poderia ter sido outro senão um que privilegiasse uma pronta identificação do leitor, uma típica escola japonesa. Após ser sequestrada pelo vilão Marte, o novo protagonista da série, Kouga, vai com a recém herdada armadura de Pégaso para o local de treinamento dos novos cavaleiros: a escola Palaestra.

A rebelde Yuna de Águia se recusa a usar a máscara de amazona.

Fazer amigos, aprender um mundo novo, desenvolver a auto-disciplina. Uma escola ensina tudo isso e muito mais, ainda mais numa escola com alunos multiplos países, de variadas histórias e centenas de contextos sociais. E mais uma vez a Toei acertou para o seu propósito: além de deixar o violento Santuário da Grécia com uma cara de High School Musical (o mais comum entre a variada gama de animes atuais), as diversas nacionalidades dos alunos cavaleiros aproximam os especadores de todo o mundo à história de Ômega.

Se o japonês Kouga é o típico protagonista problemáticos que aprende a superar desafios numa mistura dos estilos mais performáticos dos mocinhos ocidentais e orientais, é o brasileiro Souma de Leão Menor que faz o papel de admirador nato da história dos cavaleiros e o esperançoso personagem inocênte que toda boa história deve ter.

Além do passado de cada um intervir em sua personalidade, o conflito de ideias com o restante da equipe de protagonistas vai desenvolvendo os personagens em Palaestra. A rebelde francesa Yuna de Águia (sim, uma amazona de águia igual a Marin, mas com armadura de bronze ao invés de prata) que se recusa a usar a máscara de amazona e o silencioso chinês Ryuho de Dragão, filho de Shiryu com Shunrey, vão descobrindo, junto a Kouga e Souma o quanto a vida de um cavaleiro pode ser a medida que Palaestra vai sendo tomada por Marte com o passar dos episódios.

Ryuho de Dragão é um ponto de ligação entre fãs do passado e do presente!

Em um ritmo interessante porém previsível e com formato fechado de episódios, as referências a saga original é feita de forma criativa e respeitando a obra original, com direito a um torneio de cavaleiros de bronze, onde em meio a diversos cavaleiros originais de constelações nunca antes exploradas se destaca o intrépido Éden de Órion, o favorito a ganhar o torneio e se tornar um cavaleiro de prata.

OS METEÓROS DE UMA NOVA GERAÇÃO

O primeiro arco de Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega satifaz e tem seus pontos altos. Para os fãs de longa data, sempre que as referências a série clássica são feitas, momentos de exaltação são criadas, e para os novos fãs o conhecimento de um universo rico e até então novo enche os olhos com a qualidade de animação que não se via da Toei a anos.

As mudanças estruturais e os conceitos quebrados podem incomodar os fãs de longa data mas se adaptam a nova geração e apesar da razão de ser da série ainda não estar muito clara nesses primeiros 10 episódios que contemplam o arco em Palaestra, e o vilão ainda parece muito capenga se comparado a Saga de Gêmeos, Éris, Poseidon, Abel, Hades ou outros que Seiya e os outros já enfrentaram, mas se o objetivo deste spin-off é reascender a chama da série num novo público, a Toei está fazendo um belo trabalho com a série.

O arco de Palaestra teve a função de apresentar os personagens da história.

RESENHA: Super Friends Spirits 2012 – Nobuo Yamada e Takayoshi Tanimoto

10 anos de Anime Friends! Para todos aqueles que acreditavam que tudo o que é bom dura pouco, o Anime Friends está aí para provar que quando se une persuasão, força de vontade e grandes sonhos, a realidade tão desejada perdura durante anos! E para comemorar em grande estilo, a Yamato Music preparou um Super Friends Spirits tão grandioso quanto o evento merecia, a começar pelo dia 08 de julho!

Dividida em duas apresentações, nos dois domingos do eventos, o Super Friends Spirits 2012 é não só o maior festival de animesongs da América, mas também o cumprimento de uma promessa que a Yamato Eventos fez com o encerramento da edição de 2011: relizar um festival com os maiores nome do animesong na décima edição do Anime Friends!

Com o sucesso do show de encerramento da edição anterior (clique aqui pra saber como foi), que não só resgatou toda a essência das primeira edições do Super Friends Spirits mas também deu a oportunidade do fã conhecer o que o passado e o presente da história do animesong tem de melhor, a edição de aniversário do show não poderia deixar de trazer os dois grandes nomes de 2011 de volta ao palco no Anime Friends:

• NOBUO YAMADA
Pegasus Fantasy. Bastou uma única música para que Nobuo Yamada colocasse para sempre seu nome na história como um dos maiores cantores de animesong de todos os tempos. Vocalista da banda Hard Rock Make-Up, sucesso no Japão nos anos 80, Nobuo ficou conhecido no mundo todo por interpretar os temas de abertura e encerramento d’Os Cavaleiros do Zodíaco.

Hoje, além dos trabalhos com o Make-Up e em carreira solo, o cantor ainda participa de diversos projetos musicais, integrando a recém formada banda Dr. Metal Factory, que faz covers de clássicos da J-Music em formato Heavy Metal e o Project R, grupo musical formado pela Toei Company para compor os temas dos tokusatsu produzidos pela empresa, que já lhe renderam os temas de abertura de Gou Gou Sentai Boukenger e Tensou Sentai Goseiger.


• TAKAYOSHI TANIMOTO
Takayoshi Tanimoto tem história no mundo dos animesongs, sendo o intérprete do tema de evolução de Digimon Tamers e os temas de abertura de Zatch Bell eJuuken Sentai Gekiranger. Mas foi em 2009 que o cantor atingiu o ápice de sua carreira, quando gravou os temas de abertura e encerramento de Dragon Ball Kai, versão remasterizada (e encurtada) de Dragon Ball Z.


O show começou marcado para as 18h30 começou com cerca de 30 minutos de atraso e foi realizado em pouco mais de uma hora e meia. O setlist foi o seguinte:

1 – Pegasus Fantasy (abertura de Os Cavaleiros do Zodíaco)
2 – Dragon Soul (abertura de Dragon Ball Kai)

MC com Nobuo Yamada e Takayoshi Tanimoto

3 – Can’t Say Good-Bye (inserção de Os Cavaleiros do Zodíaco)
4 – Kimi ni Kono Koe ga Todokimasu you ni (abertura de Zach Bell)

MC com Nobuo Yamada e Takayoshi Tanimoto

4 – Go Go Sentai Bokenjya Shudaika (abertura de Bokenger)
5 – Tensou Sentai Goseiger (abertura de Goseiger)
6 – Juuken Sentai Gekiranger (abertura de Gekiranger)

MC com Nobuo Yamada e Takayoshi Tanimoto

7 – Sayonara Warriors (inserção de Os Cavaleiros do Zodíaco)
8 – One Vision (tema de evolução de Digimon Tamers)

MC com Nobuo Yamada e Takayoshi Tanimoto

9 – Mienai Tsubasa (abertura de Zacth Bell)

MC com Takayoshi Tanimoto

10 – Yeah! Break! Care! Break! (encerramento de Dragon Ball Kai)
11 – Never (tema do filme Os Cavaleiros do Zodíaco – Prólogo do Céu)

MC com Nobuo Yamada

12 – Blue Forever (encerramento de Os Cavaleiros do Zodíaco)

Encore

13 – Pegasus Fantasy (abertura de Os Cavaleiros do Zodíaco)

“A energia dos fãs brasileiros são referência para o mundo”, todo diz Nobuo Yamada

O dia 08 de julho começou agitado. Fãs brasileiros dos artistas internacionais do Japão sabiam que teriam mais uma grande chance de conhecer seu grande ídolo no Anime Friends logo durante a tarde de autógrafos que se passaria algumas horas antes do show.

Logo após a saída de Kaya, entraram Nobuo Yamada e Takayoshi Tanimoto no espaço reservado para os artistas. Recebidos com vivas e gritos de seus nomes os artistas já chegaram acenando e sorrindo para os fãs.

Devido a mudança de local do evento, a tarde de autógrafos não foi feita na Sala Tokusatsu, como de costume, mas num local gradeado próximo do palco principal, onde os cantores poderiam se locomover sem grandes assédios.

Sempre simpáticos, os artistas receberam os fãs e, na medida do possível, trocaram algumas palavras, abraços e cumprimentos. Apesar de não ter a privacidade que a Sala Tokusatsu fornecia, o local foi muito proveitosos, principalmente para os fãs que não conseguiram a senha para ganhar os autógrafos, que puderam chegar muito próximos dos cantores.

Com o fim da tarde de autógrafos muitos fãs já se posicionaram próximos do Palco Principal para assistir ao show. Precedidos por vídeos que mostravam as principais atraçõs da segunda semana do evento, como a palestra de Paul Zaloon, o ator do Beakman, e um video com a música Soultaker do JAM Project, a Yamato Music já criou o clima para a chegada dos artistas e quando estes entraram no palco a explosão foi imediata!

Tanimoto fez um grande Kame Hame Ha no palco!

Nobuo Yamada entrou cantando Pegasus Fantasy, levando fãs de Os Cavaleiros do Zodíaco e da maior música animesong de todos os tempos a loucura! Em seguida foi a vez de Takayoshi Tanimoto cantar Dragon Soul, mostrando que em séries novas ou antigas, Dragon Ball sempre viverá no coração dos fãs.

Durante o show, diversas entrevistas foram feitas com os dois cantores, tendo destaque a comparação que Nobuo fez do público brasileiro com o público japonês, muito mais animado e um referencial para os nipônicos que assistem ao vídeos do Super Friends Spirits pelo Youtube.

Música após música, tema após tema, o palco já reduzido que a Yamato Music foi obrigada a fazer com a decisão da troca de local, ficou ainda menor com tamanha presença de palco dos artistas, mesmo em suas músicas menos conhecidas, Tanimoto conseguia fazer o público sair do chão.

Nobuo Yamada, com seu carisma já conhecido e sua voz grave e melódica invadia todo o palco e chegava fundo no coração dos fãs que vibravam a cada “Saint Seiya“! Todos os fãs podiam estar dando mil vivas a cada nota do autor, mas o sorriso em seu rosto era a prova cabal que o sonho realizado dos fãs era tão grande quanto os sonhos realizados do cantor por estar fazendo sua música no Brasil!.

Mesmo sem o acompanhamento de um banda (um grave erro da Yamato Music, já que a Banda Wasabi poderia facilmente acompanhar os cantores como fizeram em 2011) Nobuo repetiu o que fez ao encerrar o show de 2011: ecoar a mensagem de Blue Forever por todo o palco em tom acústico junto com todos os fãs.

Nobuo abre os braços em agradecimento ao carinho do público!

Mas mais uma vez isso não bastou e Nobuo teve de voltar ao palco para cantar Pegasus Fantasy em sua performance mais emblemática do amor que sente pelo nosso país: cantou em japonês e em português para encerrar a primeira edição do Super Friends Spirits 2012.

Com a quantidade de fãs no Palco Principal e o sucesso que Yamada e Tanimoto fazem entre os fãs, a Yamato poderia ter encerrado o dia 08 de julho com o Super Friends Spirits, mas infelizmente resolveu adiantar o evento musical para dar lugar ao show do cantor Kaya para encerrar o dia.

Não atingindo a quantidade de pessoas no palco como foi com o Super Friends Spirits, resta torcer para a Yamato deixar, como sempre havia feito, o Super Friends Spirits como a atração de encerramento de ambos os domingos, afinal, que me desculpem os fãs de Kaya, mas o uníssono que Pegasus Fantasy produziu com os milhares de fãs reunidos no show de Nobuo Yamada e Takayoshi Tanimoto vai ecoar para sempre no coração dos fãs como o melhor que o Anime Friends teve, tem e terá a oferecer ao longo de sua história e por todos os anos que se seguirão!

Nobuo Yamada cantando Pegasus Fantasy em português!

Saint Seiya Ômega: primeiras impressões

Estreiou nesse 1º de abril (é verdade!) a nova animação produzida pela Toei Animation da meteórica franquia de Saint Seiya, ou Os Cavaleiros do Zodíaco no ocidente, intitulada Saint Seiya Ômega. Após tanta repercussão com diversos elementos que comporiam a série e uma avant-premier que entrou para a história da nipo-animação no Brasil, é hora de avaliar as primeiras impressões do trabalho final, que mesmo planejado para durar 52 episódios, já dá seus primeiros sinais de sucesso.

O ENREDO

Certamente o maior dos medos dos fãs de longa data residia no enredo que a trama traria para a franquia. A data escolhida para se passar a história (nos tempos atuais em 2012) e a envelhecimento que todos os personagens sofreriam já soava desagradável. Após saber de um novo Pégaso, de um filho de Shiryu e de um inimigo com cara de Digimon, a tensão só aumentou.

No primeiro episódio, não aconteceu nada que abalasse o conceito geral da obra. Kouga, um jovem criado na Mansão Kido por Saori e treinado por Shina de Cobra (ou Serpentário, no original) se recusa a se tornar um cavaleiro por não saber exatamente do que isso se trata. Sem conhecer Seiya, ele pouco se importa com o fato de ter sido criado quando criança por ele.

Se o treinamento que ele recebe não é o que mais lhe agrada, o jovem nutre profunda admiração por Saori, que o criou desde bebê. Apesar de não deixar claro no primeiro episódio, a deusa está sofrendo de algo que deixa seu corpo com uma aparência muito próxima das galáxias que formam o corpo de Marte, o vilão da história que, até onde se sabe, matou Seiya quando este tentou matar Kouga.

Sem Santuário e concentrado na conceitualização do protagonista e nos conceitos básicos da história (como a fonte da Cosmo Energia) que os novos telespectadores do Japão não estão acostumados, o episódio terminou com Kouga vestindo a armadura de Pégaso, que não tem mais a forma object e nem urna, agora guardada dentro de um cristal que Saori lhe entregara pouco antes de Marte ressurgir, vencer Shina e tentar sequestrar a deusa Atena.

Seiya agora veste a armadura de ouro de Sagitário!

Terminando com aquele gostinho de “quero mais” que a série clássica tanto tinha e que as novas produções da franquia pouco conseguiram alcançar, o início de Saint Seiya Ômega começou diferente de tudo o que já foi visto em Saint Seiya, mas com o espírito que todos os fãs queriam ver.

A ANIMAÇÃO

Um dos grandes impactos do anúncio da nova série foi a profunda transformação que alguns personagens passaram com o novo traço adotado pela Toei Animation. A nova roupagem não só deu nova cara aos personagens já conhecidos dos fãs, como também redefiniu as armaduras e o estilo do inimigo.

A começar por Saori e Seiya, que agora com 38 anos deveriam trazer um traço mais maduro caso alguma mudança nos seus traços fossem feitos, o novo conceito foi simplificado demais. Mesmo com os olhos parecidos com o que eram desenhados na série clássica, o formato da boca, do nariz e a magreza do corpo chegam a incomodar.

O perfil até colabora para o design de novos personagens, mas parece ter tirado aquele ar doce e sereno que Saori costumava ter e a emoção latente que o rosto de Seiya sempre expressava. A impressão que dá é que os desenhistas preferiram “caprichar” no traço de Kouga para que este logo se destacasse entre os novos telespectadores da saga e logo ganhassem sua preferência.

Mas nem tudo são rosas negras, pois a qualidade da animação surpreendeu muito. Apesar do traço utilizado ser muito próximo das produções mais infantis da Toei, a série é madura o suficiente para agradar a fãs de todas as idades, tanto em enredo quanto em qualidade de imagem.

Mais madura, o traço de Saori Kido, a Atena, estranha a primeira vista.

A qualidade movimentação dos personagens enche os olhos de qualquer um que assista ao episódio, principalmente após um trabalho tão estático da Toei com OVA’s das fases Inferno e Elíseos de Hades. A somatória da dinâmica com o traço ainda não chega ao nível de estúdios como o Mad House ou Studio Ghibli, mas estão na mesma qualidade das atuais animações do Estúdio Pierrot.

A TRILHA SONORA

Para quem esperava uma nova música de abertura, “caiu do Pégaso” quando foi anunciado que Pegasus Fantasy seria mais uma vez o tema de Saint Seiya. Depois, mais uma queda sofreram todos que escutaram a versão cantada por Shoko Nakagawa (nova dubladora da Saori) e Nobuo Yamada.

Começando por um melodia leve e emocional por Shoko, a música ganha toda a força e o dinamismo da voz de Nobuo Yamada, entrando em êxtase total com a combinação dos dois no refrão da música.

E como BGM’s (Background Musics), foram utilizadas muitas músicas inéditas e novas roupagem para velhas trilhas conhecidas do público compostas pelo premiado compositor Seiji Yokoyama ainda nos anos 80 durante a produção da série clássica.

DESTAQUES E DESASTRES

Algo muito, mas muito interessante aconteceu após eu assistir o primeiro episódio de Saint Seiya Ômega: nunca, em já quase 20 anos como fã da série, eu havia notado como a personagem Shina de Cobra é interessante. Extremamente habilidosa, honrando seu título de amazona de prata com capacidade para ser mestre, a breve troca de golpes com Marte e a sua astúcia ao treinar Kouga demonstraram como ela foi uma personagem mal aproveitada durante todo o desenvolvimento da série clássica.

Também temos o detalhe da armadura. Armadura essa que ainda parece estranha de se guardar num pingente de um colar. Atire uma pedra o fã que nunca ficou analisando parte por parte os encaixes do object da armadura no cavaleiro. Masami Kurumada, o autor da série, fez escola ao criar as armaduras que desmontadas se tornavam figuras de constelações, mas parece que a nova geração de fãs não terá tal experiência.

Com tal alteração na montagem das armaduras, fica inclusive uma dúvida nos produtos a serem lançados. O hobby de montar um Cloth Myth é comparável ao de colecionadores de automodelismo, que transpassa para a figura um pouco da sua paixão pelo esporte. Será que os novos bonecos da Bandai trarão junto com o novo conceito do anime uma nova forma de action figures de Os Cavaleiros do Zodíaco? É esperar para ver.

E já que o assunto são armaduras, muito interessante a ideia que adotaram para Kouga, Shina e os outros protagonistas. Próximo do que era na série clássica, porém mais dinâmico e arrojado, os trajes são perfeitos para cair no gosto da garotada japonesa e ser aprovadas pelo fãs da velha guarda.

Shina foi o destaque do primeiro episódio!

Como o traço das armaduras varia bastante de acordo com o autor que escreve para a franquia (vide o Episódio G) é muito viável que Ômega não repita as velhas fórmulas da série original. O único porém foi a armadura de Sagitário de Seiya: as asas muito retas e a espécie de cachecol que fica no colarinho da armadura ficaram um tanto quanto exageradas, não acompanhando o dinamismo das demais armaduras.

Outro ponto positivo foi Kouga, que mesmo carregando nas costas o legado de Tenma e Seiya, conseguiu se mostrar um protagonista interessante, com um passado a ser conhecido e uma personalidade contestadora capaz de chamar a atenção de novos fãs e honrar a armadura de Pégaso.

Não que a proposta da série consiga me agradar, mas o enredo em geral foi muito positivo dentro da mesma. Toda a história precisa de um motivo para ser contada, e a de Saint Seiya é a história de Seiya. É difícil imaginar que após tantos fenômenos ocorridos com os cavaleiros nos anos 80, o ciclo de Guerras Santas continuaria, o final de Saint Seiya sempre me pareceu perpetuar o fim da história. Logo, a história de Ômega me parece algo incabível, do nível de fanfics sonhadoras que gestalticamente quiseram seguir com a história com os cavaleiros de bronze na vestimenta de ouro.

Porém a proposta da série está aí e não adianta colocar as possibilidades virtuais que a série clássica dá para seguir com o enredo. Para avaliar Ômega, é necessário tomar por base a essência do universo de Ômega.

Kouga sente o peso de se tornar cavaleiro.

COSMO FINAL, AFINAL

Saint Seiya Ômega nasceu em um momento oportuno, e por isso mesmo é uma série oportunista. Não que isso seja ruim, todo anime é criado para gerar retorno para todas as partes envolvidas e a comemoração de 25 anos da série (na verdade em 2012 já são 26!) é uma situação que não pode ser disperdiçadas.

Para a Toei, criar algo novo de Saint Seiya é sempre uma maneira de colocar os holofotes em cima dela, a obra é consagrada dentro e fora do Japão e, com excessão dos EUA, é (junto com Dragon Ball Z) o principal cartão de visita do estúdio em todo o mundo.

O formato adotado em Saint Seiya é claramente voltado ao público internacional, com personagens com nacionalidades dos principais países em que a franquia faz sucesso, inclusive o Brasil.

O tom da série é muito próximo da emoção passada pela série clássica, ponto que considero o mais relevante em sua produção. Os efeitos especiais estão dentro do parâmetro que os japoneses costumam assistir, os personagens são cativantes e o ambiente é propício para que a franquia ganhe novos fãs no Japão e no mundo.

São apenas dois os pontos que podem barrar o sucesso da série. O traço muitas vezes é irritante e infantil, com narizes pontiagudos, falta de detalhes e certas deformidades, imperceptíveis para crianças abaixo de 10 anos, mas que incomodam os fãs de animação de longa data.

E por fim, o enredo que, apesar de bem contado, mediocriza a franquia no geral, transformando-a cada vez mais em produto (como são os tokusatsus da Toei, as séries Digimon e as produções de Transformers) e menos em fantasia, utilizando-se do racional sistema de Guerras Santas que Masami Kurumada criou para dar continuidade a série ao invés de encerrá-la como um épico.

Írá Kouga dar continuidade ao legado do lendário Seiya?

Sabendo como os japoneses são mestres na arte de contar histórias, é certo que Saint Seiya Ômega será mais uma produção genial. Mas se ela terá a mesma força motriz que comoveu o mundo e se ela é digna de continuar o legado iniciado nos anos 80, só o tempo irá dizer ao longo dos próximos 51 episódios da série.

Novo filme CG para adultos, novo anime para crianças e Masami Kurumada consegue transformar Saint Seiya em Transformers…

Que 2011 seria um ano especial para Cavaleiros disso ninguém tinha dúvidas. Mas que grande parte das novidades só seriam concretizadas mais tarde também não seria novidade, já que a maioria das grandes produções foram iniciadas no próprio ano de 2011.

Assim, logo agora, no início de 2012, Masami Kurumada já pôde aprontar das suas e fazer o mais inesperado anúncio para a série: além do filme em CG (já anunciado no ano passado), Saint Seiya ganhará em 2012 uma nova animação.

Até aí tudo bem, afinal quanto mais animações de Os Cavaleiros do Zodíaco melhor! Todos os fãs aguardam ansiosos a terceira temporada de The Lost Canvas pela TMS, o anúncio de uma animação para o Episódio G, para o Gigantomachia, para o Next Dimension, para alguma das inúmeras guerras anteriores (talvéz até mitológicas) citadas durante o mangá e até, porque não, um remake da série clássica.

Mas o anúncio do roteiro da história foi de cair o queixo! Ninguém esperava a produção de um anime produzido pela Toei Animation com uma tmática voltada às crianças, algo entre Pretty Cure e Digimon, mais especificamente algo para o público entre 6 e 12 anos.

A nova animação recebe o nome de Saint Seiya Ômega. Ômega é a última letra do alfabeto grego, seria uma referência ao enredo da história, que se passará no futuro de Seiya e cia. E se você espera descobrir o que aconteceu com os cavaleiros de Atena em suas lutas contra os 12 deuses do Olimpo após a saga de Hades, pode tirar seu Pégaso da chuva, pois a história tem um quê de alternativo maior do que você pode esperar.  Olha só o quem são os personagens da história:

- Seiya é o atual Cavaleiro de Ouro de Sagitário.
– O atual cavaleiro de Pégaso cham-se Kouga, filho adotivo de Saori Kido, que continua como Atena.
– Os melhores amigos (e irmãos de criação) de Kouga são Soma de Leão Menor e Ryuuhou de Dragão.
– A amazona de prata de Águia não é Marin, não usa máscara e chama-se Yuna.
– Ainda haverá a participação de Eden de Órion e Haruto de Lobo.
– O deus Ares será o vilão.

Saint Seiya Ômega: Kouga é Pégaso e Seiya é Sagitário!

Impossível não comparar este anime as investidas mercadológicas que a Hasbro faz com Transformers. Sempre que seus robôs gigantes estão com baixas vendas, uma nova animação spin-off é criada para alavancar as vendas. Seja com animais, no futuro ou no passado, os spins de Transformers servem com um verdadeiro caça-níquel e muitas vezes deixam o enredo de lado.

Analisando as últimas investidas de Kurumada com a franquia de Saint Seiya, a coisa parece seguir pelo mesmo caminho. A produção capenga de Hades Inferno e Hades Elíseos, o pouco apoio comercial a The Lost Canvas por parte do autor, a troca de dubladores, a demissão de Shigeyasu Yamauchi e o enredo apelativo de Next Dimension estão fazendo que a franquia cada vez mais perca em qualidade e ganhe em somas de dinheiro.

Saint Seiya Ômega parece vir apenas para completar um nicho que Kurumada ainda não tinha: o de crianças abaixo de 10 anos. Enquanto a série clássica vende para a fanbase de saudosistas, The Lost Canvas capta um novo público shonen e shoujo e o Episódio G cuida do público mais maduro.

Mercadológicamente a estratégia é muito boa. Vários produtos para vários nichos. Mas não seria melhor manter o nível do que já se tem antes de se aventurar a conquistar novos territórios?

Até agora os fãs não tiveram uma animação decente de Hades Inferno e Elíseos, a série clássica carrega o esteriótipo de “velha e ultrapassada” quando  é comercializada e exibida em países estrangeiros, o Prólogo do Céu (a melhor produção que Cavaleiros já teve) foi desvinculado do canône da história para dar lugar a um Next Dimension com ritmo de publicação mais baixo que Hunter X Hunter… Mas mesmo com tantos buracos a seres completados a aposta é uma animação totalmente nova e descabida que será 100% spin-off e chega para vender o universo para um público desinteressado na série…

O jeito agora é torcer para que o novo público realmente seja atingido e a franquia de Saint Seiya possa ter uma reerguida no Japão e no mundo. Mesmo com um horário ingrato, sendo exibido as 6h30 da manhã, vale lembrar que a série passará no domingo, dia que a tv japonesa mais tem audiência, podendo ser um indício que a Toei Animation realmente quer que o anime vá para frente.

Saint Seiya The Movie: a única esperança por qualidade e uma boa produção?

Entrementes, também devemos torcer para que o filme em CG, que teve uma nova imagem (espetacular, por sinal) seja realmente uma produção de qualidade e não mais um caça-níquel que os fãs mais maduros se acostumaram a cair.

E quem sabe num período próximo poderemos ver Saint Seiya em grandes produções (também caça-níqueis, verdade… mas pelo menos com qualidade a la Steven Spielberg) e ver Masami Kurumada assinar de vez o tratado Transformers para Seiya e os outros.

RESENHA: Bleach, a saga da Soul Society

Seja no cinema, em um livro ou na hora de dormir, uma história precisa ser bem contada, ter personagens cativantes e uma linguagem que fascine a que com ela tem seu primeiro contato. Seja no Brasil ou no Japão, contos fantásticos vão além da cultura local ou dos valores vigentes, atingindo os pontos mais sensíveis da alma humana. Bleach é o fenômeno japonês que invadiu o mundo não por obedecer essas idéias, mas por ir além dela, mostrando que mesmo numa sociedade habitada somente por mortos, é no coração humano que repousa o fascínio e a inspiração da alma pela vida.

SUBSTITUTO DE SHINIGAMI

É comum na classificação de uma longa história a divisão de suas partes em “sagas” ou “arcos”, em Bleach não é diferente e o primeiro arco da história é comumente chamada de arco do Substituto de Shinigami. Porém, como esta leva da história não passa de uma preparação para o arco a seguir esta resenha irá abordá-la como parte de um primeiro grande todo da história, estando dentro do que é chamado de Saga da Society. Esta saga compreende os volumes do 01 ao 20 do mangá e os episódios do 01 ao 63 do anime.

E que grande história! Bleach já soma mais de 50 volumes de mangá, mais de 300 episódios animados para a TV, 4 longa-metragens e está presente em dezenas de países. Quem observa este número de conquistas não imagina a longa trajetória por qual a história passou para até o ponto que a consolidou com uma das franquias mais rentáveis do Japão.

O autor da história, Tite Kubo, já havia idealizado a história desde os anos 90, época em que ele entregou os primeiros capítulos da história, já desenhados, para serem publicados na Shonen Jump, maior revista de histórias em quadrinhos do Japão. Porém, pela proximidade do tema com Yu Yu Hakushô e um estilo muito similar ao de Samurai X, duas publicações da Jump que haviam virado febre no Japão nos anos 90, Bleach foi rejeitado pela revista.

Com seus esforços não recompensados, Tite Kubo chegou a quase desistir da carreira de mangaká, publicando nos próximos anos apenas alguns poucos one-shots sem grande repercussão e Bleach só voltaria na vida do autor alguns anos depois quando, por obra do destino, cópias de seus primeiros capítulos desenhados foram parar na mão de Akira Toriyama, o consagrado autor de Dragon Ball.

A chegada de Rukia a cidade de Karakura dá início a história.

Maravilhado com o que viu, Toriyama aconselhou que Tite Kubo voltasse a dedicar algum tempo ao mangá, o que resultou numa nova análise da revista Jump e na tão aguardada aprovação cobiçada pelo autor. Era a sua oportunidade de contar para o mundo a história do adolescente de cabelos laranjas que não imaginava que sua estranha capacidade de poder ver espíritos mudaria sua vida para sempre.

A MORTE E O MORANGO

O primeiro capítulo do mangá não poderia ter melhor nome. O ponto inicial do anime acontece quando o protagonista Ichigo Kurosaki acaba recebendo os poderes de shinigami de Rukia Kuchiki, a responsável da cidade da fictícia cidade de Karakura em salvar as almas que se tornaram hollows, espíritos humanos que se tornaram monstros espirituais por se prenderem a algo na terra que os impediu de ir até a Soul Society após a morte.

Ichigo, em japonês, significa morango e Rukia é uma shinigami, literalmente deus da morte mesmo que na adaptação brasileira o termo tenha sido modificado para ceifeiro de almas. O encontro do morango com a morte possibilitou não apenas uma mudança radical na vida de Ichigo como também a criação de um time de personagens de primeira para compôr a história do anime no arco do substituto de shinigamis.

Ao ganhar poderes espirituais devido a convivência com Ichigo e por ter uma rivalidade secular com shinigamis, Orihinme Inoue, Sado Yasutora (ou soment Chad) e Uryuu Ishida, o último quincy, se tornam personagens de variados estilos de luta que apresentam o universo de Bleach ao leitor/espectador ao mesmo tempo que ganham destaque na história junto ao protagonista.

Inicialmente como rival de Ichigo, Ishida ganha destaque como personagem!

É interessante notar o ciclo que se tem início neste arco, já que além de definir o leque de personagens em torno dos quais a história vai girar, o quinteto formado corresponde a cinco personalidades ideais para que o espectador crie um vínculo com a história, acompanhando-a para saber como tais esteriótipos corresponderão as situações que lhes serão impostas. E isso vai se desenvolvendo cada vez mais a cada novo elemento acrescentado a história, principalmente com a chegada de Byakuya Kuchiki e Renji Abarai a cidade de Karakura.

A SOUL SOCIETY

Se antes a principal característica de Rukia era a sua personalidade forte e autoritária diante das tarefas passadas para Ichigo, sua conversão a obediente e submissa soldada da Soul Society surpreende a todos quando Renji e Byakuya, respectivamente tenente e capitão do sexto esquadrão de defesa da Soul Society, levam-na para a Soul Society por ela ter cometido o crime de passar poderes de shinigami a um humano e viver como uma humana com o uso de um gigai (corpo utilizado por almas para se materializar na terra).

Após um treinamento cedido por Urahara, dono da loja que Rukia comprou seu gigai,  para recuperar seus poderes de shinigami tirados por Byakuya, Ichigo segue rumo a Soul Society para salvar Rukia da sentença de morte, já que é graças aos poderes que ela lhe cedeu que ele pode se tornar forte o suficiente para proteger a sua família, uma maneira de tentar se absolver da culpa por ter causado, mesmo que sem querer, a morte de sua mãe por um hollow.

Acompanhando Ichigo em sua empreitada, estão todos aqueles que tiveram sua história iniciada pelos eventos ocorridos antes da partida de Rukia, cada um seguindo um objetivo próprio além do resgate da shinigami. Ishida quer entender o porquê da morte de seu avô quincy pela inação de um shinigami, Inoue quer garantir que os obejtivos de Ichigo sejam concretizados e Chad quer cumprir a promessa que fez ao amigo quando se conheceram: proteger as costas de um amigo que sofria com os mesmo problemas que o dele.

"Vou proteger suas costas" é a promessa de Chad para Ichigo!

Apesar das referências, talvéz até involuntárias, a Yu Yu Hakushô e a Samurai X, é nesta fase que as verdadeiras inspirações de Tite Kubo começam a ficar mais evidentes. Revelado pelo próprio autor, as entidades sobrenaturais são inspiradas nos monstros de GeGeGe no Kitaro, mangá de Shigeru Mizuki, publicado na década de 50. Já o estilo de luta RPG, um ataque e outro defende, aliado a dramaticidade dos textos e flashbacks, tem sua origem em Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco, no Brasil), de Masami Kurumada, publicado na segunda metade dos anos 80. As batalhas na Soul Society, além de impressionar os olhos de quem vê, dão ainda mais força a história e a personalidade de cada personagem.

CICLO DE UM PERSONAGEM

Todo personagem tem um ciclo: ele nasce, vive e morre. Seu nascimento acontece na primeira vez que ele figura na história, mas sua morte não significa necessariamente o seu falecimento, mas mantê-lo vivo depende de todo o universo, do contexto e dos elementos inseridos no decorrer da história a ele relacionado.

Assim como foi com os cavaleiros de ouro em Saint Seiya, o Gottei 13, os treze esquadrões de defesa da Soul Society, adicionaram diversos elementos que possibilitaram o crescimento e o amadurecimento de cada personagem. Mesmo que muitas vezes fique claro que o insight de determinada sequência tenha ocorrido depois de seu planejamento, tudo o que foi acrescentado durante a saga do Soul Society contribuiu para o fortalecimento da história e, principalmente, de seu universo criativo.

A entrada de Ganju, foi o ponto crucial para atiçar a curiosidade sobre o passado de Rukia. A criação do Bankai, motivou uma causa para se conhecer os 13 capitães. E por fim, o assassinato de Sousuke Aizen, capitão do 5º esquadrão, possibilitou o desenvolvimento da personalidade dos 13 capitães que refletiu diretamente em como o quinteto de protagonistas se mostrou na história, onde nem todos puderam aproveitar as possibilidades criadas pelo autor.

A paixão de Orihime por Ichigo leva a garota até a Soul Society.

Ishida, que mesmo declaradamente inferior a Ichigo, mostrou que havia muito o que desenvolver após derrotar Kurotsuchi Mayuri, o capitão do 12º Esquadrão, mesmo ambos tendo uma diferença gigantesca de poder. A utilização do armamento quincy para utilizar um poder que ainda não possuia faz o próprio Mayuri reconhecer que Ishida ainda pode crescer muito como lutador, mesmo este tendo perdido todos os seus poderes após a luta. Se a dificuldade inicial era conseguir o poder que ele despertou (maior que a dos capitães), o plano a seguir seria dominar tal técnica para garantir a permanência do personagem no decorrer da história.

Orihime cresceu, mas foi diferente. O ciclo de batalhas que a personagem poderia vir a ter após um treinamento antes da Soul Society mostrou-se ineficaz na personagem, mas esta trocou o papel de lutadora (já muito bem suprido por Ichigo, Ishida, Chad e todos os outros aliados que a Soul Society produziu) para se tornar uma espécie de maga branca, personagem clássico dos RPG’s responsável pela cura dos personagens, papel essencial, participativo e muito mais adequado a sua personalidade.

O problema aconteceu apenas com Chad. Mesmo após toda a campanha inicial do personagem (inclusive pelas frases de efeito de Ichigo) e a aparente força desenvolvida durante o treinamento pré-soul society, o personagem perdeu o ritmo e não deu conta de surpreender o leitor/espectador com sua participação na saga. Provavelmente isso foi fruto da extrema ligação com Ichigo que Tite Kubo criou durante a criação da origem do personagem, mas que erroneamente foi esquecida, separando ambos, durante o desenrolar do caminho dos dois na Soul Society.

PROTAGONISTA PRA NINGUÉM POR DEFEITO

Apesar da linha inicial se aproximar bem de Os Cavaleiros do Zodíaco, com um time de personagens a qual a história gira, Bleach acabou se aproximando muito mais da linha de Dragon Ball, onde apenas o protagonista leva a história em sua reta final, deixando Ichigo com o papel definitivo para finalizar a saga e utilizando personagens secundários para apoiá-lo.

Visto que todos os personagens tem um ciclo, é o ciclo de história do protagonista que dá apoio a história e é quando este acaba é que a história tem fim. Durante as lutas com Renji e Kenpachi Zaraki Ichigo pode crescer como protagonista, mas foi apenas na luta final contra Byakuya que o ciclo do personagem reflete diretamente como guia do universo criado.

Ideologicamente, este é o personagem que vai contra os preceitos de uma sociedade mesquinha e egoista, mascarada em uma série de classes que parecem manter a ordem e ter tudo sobre controle. Byakuya é o personagem que mais reflete os ideais dessa sociedade e a vitória de Ichigo sobre ele garante a vitória do protagonista sob aquilo que ele combateu durante toda a história.

Entrementes, Ichigo apenas conseguiu a vitória por ser dominado por sua consciência hollow, que habita nele após o seu treinamento com Urahara, mostrando que mesmo vencendo aquilo a que combateu, ainda resta uma luta introspectiva que insiste em destruir o que ele conquistou e que pode dominá-lo a qualquer hora.

O lado hollow de Ichigo deixou Byakuya sem reação em sua luta definitiva.

Com o fim de Bykuya, a sensação do apreciador da história é que tudo teve um fim, mas ao se recordar do contexto que levou até a luta dos dois shinigamis, provocando uma série de lutas a la capitães versus capitães, parece que um obstáculo não aparente precisa ser vencido pelos protagonistas e é aí que entra a influência de todo o contexto do universo criado por Tite Kubo.

O MELHOR FIM DE SAGA QUE UM ANIME JÁ TEVE

Não há nada melhor para um espectador que perceber que todos os pequenos elementos que rodeiam a história principal fazem parte de um todo com total influência no enredo primordial. Não há melhor descrição para o fim da Saga da Soul Society de Bleach.

Após a luta contra Byakuya, descobre-se que a sentença de morte de Rukia era parte de um demoníaco plano que Sousuke Aizen arquitetou com a sua própria morte para conseguir o Hougyoku, artefato criado por Urahara e implantado no espírito de Rukia, sem ela saber, quando esta utilizou um de seus gigais. Com o Hougyoku, Aizen poderia unir os poderes dos shinigamis com os dos hollows, produzindo seres e depertando poderes nunca antes imaginados pelas forças do Gottei 13.

Com a revelação de Aizen após a luta contra Toushiro Hitsugaya, capitão do 10º esquadrão, e o roubo a liberação forçada do Hougyoku do corpo de Rukia, o traidor vai  junto com Ichimau Gin, o capitão do 3º Esquadrão, e Kaname Tousen, capitão do 9º Esquadrão, para o Hueco Mundo, lugar onde habitam os hollows, para colocar em prática suas ambições de transformar hollows em shinigamis e formar um exército pessoal para por um fim na Soul Society.

Com um rosto inocente e uma aura de justiça aparentemente inabalável, Aizen enganou a todos.

Mostrando-se presente em todas as etapas da história, Aizen se tornou o ideal perfeito de vilão da história que faltava em Bleach, unindo a todos os pontos injustos e cruéis enfrentados pelos protagonistas em um só grande contexto.

Com um final de saga épico, Bleach abriu espaço para um continuação espetacular, cheia de possibilidades de utilização de personagens, criação de novos inimigos e aprofundamento do contexto inicial dos hollows história, que pareceu se perder com a ida de Ichigo a Soul Society mas que se mostrou essencial para a continuação da história de Aizen.

Pegasus Fantasy – as versões de Eizo Sakamoto

Pegasus Fantasy. Bastou uma música para que Nobuo Yamada fosse considerado até hoje um dos maiores intérpretes de animesong’s de todos os tempos. A música repercutiu tanto na carreira do cantor que estimulou a diversos outros cantores de sucesso no Japão a gravar suas próprias versões de um dos temas de anime mais cultuados no Japão. Um desses cantores é Eizo Sakamoto.

Mesmo que você não conheça muito de animesong’s,já deve ter ouvido falar em Eizo Sakamoto. Isso porque o cantor foi um dos poucos cantores de Heavy Metal japonês que conseguiu se libertar das fronteiras da Ásia e ser reconhecido em todo mundo como, segundo eleição da revista BURRN! em 2008, como um dos 15 maiores vocalistas que Heavy Metal já teve no mundo.

Nascido em 26 de fevereiro de 1964, a carreira do cantor decolou nos anos 80, onde, como vocalista da banda ANTHEN, Eizo foi considerado um dos maiores expoentes do Heavy Metal japonês. Sua busca era sempre seguir uma linha heavy tradicional como principal característica. O grupo era formado inicialmente por Eizo Sakamoto (vocal), Hiroya Fukuda (guitarra), Naoto Shibata (baixo) e Takamasa Ohuchi (bateria).

Mas foi nos anos 90 que o cantor passou a se relacionar com o universo dos animesongs, quando fundou a banda Animetal.

• ANIMETAL

“Por que não misturar canções de anime com metal?”. A conceito do Animetal surgiu de uma conversa casual entre Eizo Sakamoto, Yoshio Nomura e Yorimasa Hisatake (que depois seria o produtor da nova banda do amigo).

A partir de uma idéia simples, porém inovadora, nascia o Animetal. A banda nasceu em 1996 e seguiu na ativa até 2006. Mesmo para os mais céticos, os números da banda impressionam: a banda conta com 14 álbuns, 17 singles, 6 DVDs e 13 ex-integrantes. A última (e principal) formação da banda foi Eizo Sakamoto (fundador da banda e vocalista, 1996-2010), Syu (guitarrista, 2003-2006), Masaki (baixista, 1997-2006), Katsuji (baterista, 1997-2006) e Mie (vocalista feminina “Animetal Lady”, 1997-2006).

A banda foi tão bem sucedida, que hoje em dia o nome da banda, Animetal, é comumente usado como gênero musical que transforma musicas de anime em Heavy Metal.

Pegasus Fantasy foi gravada no CD Animetal Marathon V, em 2003, mesma época que os OVA’s de Hades Chapter Sanctuary estavam sendo comercializados no Japão. Aqui o tracklist do álbum, que conta com dois discos:

1. Satsuriko no Juuika
2. Pegasus Fantasy
3. Toushi Gordian
4. Choujin Sentai Baradakku
5. Try Attack!
6. Starhingar no Uta
7. Roller Hero Mutekingu
8. Midnight Submarine
9. Yume no Funanori
10. Kinnikuman Go Fight!
11. Hoonoo no Kinnikuman
12. Tough Boy
13. Yoroshiku Turning
14. Moete Hero
15. Touch
16. The Chanbara
17. Lupin III Theme
18. Battle Fever J
19. Ah, Denshi Sentai Denji-Man
20. Taiyou Sentai Sanbarukan
21. Daisentai Googuru V
22. Chou Denshi Bio-Man
23. Choujuu Sentai Live-Man
24. Red Balon
25. Mach Balon
26. Otokono Misao-Seishun
27. Ganbalon ’77
28. Ikuzo! BD7
29. Fight! Dragon
30. Kakero Ban-Kid
31. Ryuusei Ningen Zone
32. Kamen Rider Super 1
33. Kamen Rider Black
34. Kamen Rider Black RX
35. Gyakuten Ippatsu-Man
36. Yattodeta-Man no Uta
37. Otusuke-Man no Uta
38. Zenda-Man no Uta
39. Yattaa-Man no Uta
40. Zankoku na Tenshi no Teeze
41. Tomorrow Never Dies

O CD conta com diversos sucessos de temas de animes que causaram furor no Japão. A versão deste álbum foi a primeira em que Pegasus Fantasy foi cantada em Heavy Metal. Confira a versão estúdio da música em full version junto com um vídeo criado por fãs:

Essa é considerada a melhor versão da música na voz de Eizo Sakamoto que gravou a música mais duas vezes em 2009.

• EIZO JAPAN I

Por diversas vezes Eizo Sakamoto já admitiu ser um fã inveterado de de animações japonesas. Assim, mesmo com o fim do Animetal, Eizo Sakamoto continuou sua carreira solo tanto com seu estilo Heavy Metal quanto cantando covers dos temas de seus animes favoritos. Pegasus Fantasy integrou seu primeio álbum, intitulado Eizo Japan I, dedicado a essas canções solo, sendo que a música já ganhou duas faixas. Eis o tracklist do álbum:

01. GLACIER (Instrumental)
02. Engine Sentai Go-onge
03. Pegasus Fantasy (Saint Seiya)
04. Butter-Fly (Digimon)
05. Unbalance na Kiss o Shite (Yu Yu Hakusho)
06. Turn A Turn (Turn A Gundam)
07. Geki! Teikoku Kagekidan (Sakura Wars)
08. Kimi o Nosete (Laputa Castle in the Sky)
09. DELUGE (Instrumental)
10. Dengeki Sentai Changeman
11. Aiai Mikochan (Norakuro)
12. Kioku no Umi (School Days)
13. Hana – Shinomori Aoshi no Theme (Rurouni Kenshin)
14. Towa no Mirai (Rurouni Kenshin)
15. Pegasus Fantasy Acoustic Version (Saint Seiya)

A faixa 03 conta com uma releitura da primeira versão do Animetal, com algumas alterações de Eizo, o que deixam a música muito original.

O primeiro minuto da música é o refrão da Pegasus Fantasy clássica em formato music box (caixinha de música). Especula-se que essa introdução foi colocada na música em homenagem ao filho de Eizo, já que o cantor declarou uma vez que cantava Pegasus Fantasy e Butterfly (tema de abertura de Digimon Adventures) como canção de ninar ao seu garoto.

A música segue com um instrumental pesado, com forte presença da bateria e do vozeirão de Eizo, com direitos a muitos gritos metálicos. A música assusta o início, já que é bem mais agressiva que todas as versões (seja do Make-Up ou do Animetal) que a precederam. Mas a música se mostra muito interessante a medida que avança, principalmente pelos dois solos de guitarra (bem diferente do composto por Hiroaki Matsuzawa) e pelo coral metálico que acompanha Eizo em alguns pontos da música e que ainda garantem um solo quase no final, que é finalizada com mais alguns segundos do Music Box do início da música.

A faixa 15 (última do CD), foi intitulada de Acoustic Version, mas caberia mais que fosse chamada de Latina Version. Isso porque Eizo se utilizou de diversos sons e instrumentos que resultaram num tom que muito lembra os arranjos de músicas hispânicas e sul-americanas.

Especula-se que esse som latino não é mera coincidência. Desde que Eizo se apresentou no Anime Friends 2004, o cantor passou a visitar a América Latina com muita frequência, sendo sempre muito bem recebido. Em retribuição a hospitalidade e ao carinho desse público, acredita-se que essa acoustic version seja uma homanagem que o cantor fez ao nosso povo. Acompanhe:

Próxima postagem: as versões dos integrantes do JAM Projec

 

Falece Hiroaki Matsuzawa, guitarrista e compositor de “Pegasus Fantasy”

É com muita dor que escrevo esta postagem.

Faleceu neste última dia 18 de novembro, no Japão, aos 50 anos, vítima de infarto no miocárdio, o grande músico Hiroaki Matsuzawa, um dos maiores guitarristas da história do Japão. O artista é o compositor das maiorias das músicas da banda Make-Up, uma das bandas mais significativas do cenário do j-rock nos anos 70 e 80.

Líder da banda Make-Up, Matsuzawa ainda compôs um dos temas de animação de maior sucesso de todos os tempos, Pegasus Fantasy, maior hit d’Os Cavaleiros do Zodíaco, cantada por Nobuo Yamada, além de ser o guitarrista que toca o solo da música.

Novembro é o mês que fariam 2 anos da volta do Make-Up ao cenário do j-rock japonês. Neste curto tempo, eles lançaram um single e um mini-álbum, “The Voice From Yesterday“.

Além de Nobuo Yamada (NoB) como vocalista e Matsuzawa nas guitarras, o MAKE-UP ainda tinha Yohgo Konno nos teclados, Yasuoyoshi Ikeda no baixo e Yoshihiro Toyokawa na bateria. Nenhum dos  membros do MAKE-UP se manifestou oficialmente ainda sobre o falecimento de Matsuzawa

Com certeza, suas músicas e composições marcaram toda uma geração, no Japão e no Mundo, e a cada vez que forem executadas, homenagearão a genialidade e o talento do músico.

Descanse em paz, Matsuzawa-san.

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