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o blog do Davi Jr.

RESENHA: A Invenção de Hugo Cabret

Expressão. Talvez esse seja a palavra que melhor consegue englobar todos os anseios do homem contemporâneo e de todas as outras eras. Por mais simples que o desejo possa parecer, para que este possa se concretizar é necessário que algo ou alguém expresse sua vontade de realizá-lo com todo o calor que o ser humano aprendeu a usar ao seu favor ao longo de sua história. A Invenção de Hugo Cabret mostra que qualquer realização depende de sua expressão, mesmo que essa tenha que partir de um princípio menos expressivo.

CONCERTANDO MÁQUINAS

O cinema quando somado a boa publicidade produz armadilhas engraçadas para os espectadores. Quem nunca foi ao cinema esperando um filme medonho de terror e se deparou com uma comédia bonachona das mais raspas de pé?

O efeito que trailer e o cartaz provoca muitas vezes não compartilha da mesma sintonia que o filme traz e depois de pago ingresso a quem se deve culpar? Ao briefing mal dado da produtora a agência que recebeu as fotos? Ao diretor que resolveu colocar apenas as melhores partes no trailer? Ou inocência repetida mais uma vez frente-a-frente da bilheteria?

Entre culpas e brincadeiras de mal gosto de milhões de dólares, muitas vezes o inesperado surpreende e o espectador que entrou no cinema esperando um filme infanto-juvenil cheio de situações fantasiosas se deparou com um drama muito mais que fantástico, capaz de emocionar as razões mais intrínsecas do homem.

Sim, isso é A Invenção de Hugo Cabret, um filme vendido como uma produção infantil de alta qualidade para não revelar um conteúdo profundo que poderia afastar o espectador mais casual do cinema.

Baseado no livro homônimo do título brasileiro (o título original do longa é simplesmente Hugo), o filme dirigido por Martin Scorsese conta muito mais que a história de um menino que vive sozinho em Paris, se transformando a medida que o tempo é contado num ode a história do cinema.

O autômato deixado pelo pai é a única ligação com o passado que faz Hugo avançar para o futuro.

EM SEU PROPÓSITO

Hugo Cabret é um menino que vê a Paris dos anos 30 a partir da visão do alto das paredes da torre do relógio de uma estação de trem, local onde ele passou a viver com o tio bêbado, que o abandonou posteriormente, após a morte de seu pai.

Sem freqüentar a escola, mas muito esperto graças a tudo o que o seu pai lhe ensinou sobre mecânica e o funcionamento das coisas, o garoto tem como grande objetivo concertar um autômato, última lembrança que ele tem do pai, mas para isso deve se manter no anonimato, já que na estação um desajeitado guarda leva todos os garotos não acompanhados dos pais para o orfanato da cidade.

Com uma introdução infantil, o espectador não espera o que está por vir a medida que a narrativa avança. Com poucas falas, muita trilha sonora e uma textura que impressiona os olhos a cada detalhe que se descobre ao redor da tela de cinema ou nas lacunas que o diretor vai deixando ao longo da história para preencher no final.

A visão de mundo que passamos a conhecer a partir do protagonista, interpretado maravilhosamente por Asa Butterfield, que já novo demonstra todo o seu talento, surpreende a cada lição de moral que ele dá nas diversas situações que se vê envolvido.

Por estar tão ligado as máquinas, Hugo cresceu interpretando o mundo como tal, cada um com sua função, cada um com seu propósito, cada um com sua razão de ser.

A medida que a narrativa avança, tais preceitos se tornam essenciais para o sentido final da trama, que justifica o porquê de seu cuidado com a fotografia, o pouco texto e a alta trilha sonora.

A medida que ajuda Isabelle, Hugo começa a descobrir ligações entre o autômato e a chave em forma de coração.

METACINEMA

A Invenção de Hugo Cabret é além de tudo uma justa homenagem a um dos maiores cineastas que o mundo já teve, sem o qual o cinema talvez nunca tivesse chegado até aonde chegou, ou pelo menos não de maneira tão rápida.

Georges Méliès esteve presente na primeira sessão de cinema que os irmãos Lumiere rodaram ainda no século XIX. A visão que teve de tal invento o impressionou tanto que o, até então, mágico vendeu tudo o que tinha para construir o primeiro estúdio de cinema europeu, onde criou as mais fantásticas formas de contar história.

Todos os truques de cena, trucagens de filmagens e diversos efeitos especiais utilizados no cinema até a invenção da computação gráfica foi iniciada com Méliès, que diferente dos Lumiere, viu o cinema como uma atraente maneira de contar histórias.

Refilmando varios dos filmes, mas agora em 3D, e utilizando muitos originais Martin Scorsese traz junto com Hugo Cabret um Méliès idoso e sem esperanças para contar a gloriosa história do cineasta.

Um filme que conta a história da produção dos filmes, eternizando e dando valor a arte da filmagem, que se banaliza cada vez mais hoje com a diversidade de câmeras e celulares que filmam em todo e em qualquer lugar.

Ben Kingsley interpreta Georges Méliès.

ACERTANDO OS PONTEIROS

“Eu concerto máquinas”. Sim, isso é o que Hugo Cabret faz. E com Méliès não é diferente. Colocando o cineasta num patamar onde nunca deveria ter saído, A Invenção de Hugo Cabret é uma aula de como filmes devem ser feitos.

Com uma mensagem simples mas muito profunda, o filme expressa toda a vontade de um homem em expressar suas ideias para que o espectador comece a expressar tudo o que mensagem do filme resgata do seu eu mais íntimo.

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Abaixo, você confere Le voyage dans la lune (Viagem à lua) de 1902, em que usou técnicas de dupla exposição do filme para obter efeitos especiais inovadores para a época, e que ainda hoje conseguem expressar toda a genialidade da arte de contar histórias do cinema.

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5 Respostas para “RESENHA: A Invenção de Hugo Cabret

  1. Natalia Carmelo maio 31, 2012 às 3:10 am

    A resenha é tão poética quanto o filme “A Invenção de Hugo Cabret”.

    • nextconqueror setembro 13, 2012 às 11:46 pm

      Por favor Valquíria (aprenda a usar a internet como uma ferramenta para ampliar conhecimentos e opiniões e não simplesmente para exacerbar palavras que denigrem a imagem de um filme. O comentário foi editado em respeito aos leitores o blog.

  2. yara sousa outubro 2, 2012 às 1:28 pm

    eu achei uma@%$###&**++==

  3. Tiago outubro 28, 2012 às 11:25 pm

    Eu achei ótimo filme! Uma grande homenagem um filme que foge a banalidade dos tempos atuais, lindo majestoso poético tudo o que ultimamente é raro na sociedade atual!!!

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